Atitude Popular

“Nós somos todas rosas, porque cada mulher carrega uma história de luta, beleza e resistência”

Livro de Rosa Gonçalves transforma memória pessoal em narrativa coletiva sobre mulheres, comunidade e comunicação popular


Na edição do programa Café com Democracia exibida na sexta-feira, 17 de abril, a escritora, radialista e psicopedagoga Rosa Gonçalves apresentou seu livro Somos Todas Rosas, em uma conversa conduzida por Luiz Regadas. A entrevista, transmitida pela Atitude Popular, destacou não apenas o lançamento da obra, mas também o percurso de vida que deu origem ao livro, marcado por memória, militância e compromisso com a comunicação comunitária.

Durante o programa, Rosa explicou que o livro nasce de um processo íntimo de escrita que começou ainda na infância, quando registrava suas vivências em diários. “Escrever o livro Somos Todas Rosas é falar da minha história, das minhas memórias, das minhas vivências e reflexões ao longo da vida”, afirmou. A autora ressaltou que a decisão de transformar esses registros em obra publicada surgiu da necessidade de preservar a memória: “A nossa história precisa ser registrada, porque a memória falha, mas o que fica escrito atravessa gerações”.

Memória, infância e raízes como ponto de partida

A obra se inicia com um mergulho na infância da autora, marcada pela vida em comunidade, pela convivência com a natureza e por experiências simples que moldaram sua visão de mundo. Rosa descreve um tempo em que as brincadeiras aconteciam ao ar livre, longe das telas e da lógica acelerada da vida contemporânea.

“Era uma infância de correr na chuva, subir em árvore, brincar de roda. Hoje, muitas crianças não têm isso. Estão presas às telas, adoecendo”, refletiu. A autora também relaciona essas mudanças ao aumento de transtornos emocionais na infância e defende o resgate de experiências coletivas e do contato com o ambiente natural como forma de cuidado.

Escrita como terapia e instrumento político

Ao longo da entrevista, Rosa destacou o papel da escrita como ferramenta de cura e elaboração emocional. “A escrita também é uma terapia. Ela ajuda a trabalhar sentimentos, traumas e a nossa própria história”, disse.

Mas o livro vai além do plano individual. A autora deixa claro que sua intenção não foi contar apenas a própria trajetória, mas construir uma narrativa coletiva sobre as mulheres. “Eu não quis falar só da Rosa Gonçalves. Quis falar das trajetórias de luta das mulheres, dos desafios sociais, culturais e políticos que enfrentamos”, explicou.

A metáfora da rosa, que dá título à obra, sintetiza essa proposta. Segundo Rosa, a flor representa a coexistência entre beleza e resistência. “Os espinhos são as dificuldades, as lutas. Mas também temos perfume, temos força, temos história. Somos todas rosas”, afirmou.

Fé, comunidade e formação política

Outro eixo central do livro é a vivência comunitária e religiosa da autora, fortemente influenciada pelas Comunidades Eclesiais de Base. Filha de um animador de grupos bíblicos, Rosa cresceu participando de encontros comunitários e desenvolvendo uma visão de fé ligada à justiça social.

“Eu aprendi que ninguém constrói nada sozinho. A gente só consegue viver com dignidade quando está em comunidade”, disse. Essa formação também contribuiu para sua atuação como mulher feminista e militante por direitos iguais, inspirada, segundo ela, pelo exemplo do pai, que valorizava a igualdade de gênero em um contexto marcado pelo patriarcado.

Comunicação popular como espaço de transformação

Rosa também dedica parte significativa do livro à sua trajetória na rádio comunitária de Independência, no Ceará, da qual é fundadora. A emissora, criada há 29 anos, surgiu como resposta à ausência de espaços de expressão para a população.

“A rádio comunitária veio para dar vez e voz a quem não tinha. Era um espaço onde o povo podia se expressar livremente”, explicou. Segundo ela, a comunicação popular é fundamental para fortalecer a democracia e garantir a circulação de narrativas que não encontram espaço nos grandes meios.

O livro também aborda o programa Vida de Mulher, criado na rádio, que se tornou um espaço de debate sobre violência de gênero, maternidade solo e empoderamento feminino. “Temos muitos relatos de mulheres que dizem que o programa ajudou a mudar suas vidas”, destacou.

Uma obra que convida à escrita da própria história

Ao final da entrevista, Rosa reforçou que o livro é também um convite à reflexão e à ação. “A obra convida você a escrever a sua história. É importante registrar o que vivemos, porque isso fica para as futuras gerações”, afirmou.

Já em sua terceira edição, Somos Todas Rosas tem alcançado leitores interessados não apenas na trajetória da autora, mas na identificação com experiências comuns às mulheres brasileiras, especialmente aquelas inseridas em contextos populares e comunitários.

Mais do que uma autobiografia, o livro se apresenta como um manifesto sensível e político sobre memória, resistência e pertencimento.


Perfeito — essas informações são essenciais e dão mais densidade jornalística. Vou te entregar a seção de referências completa e correta, já no padrão da Atitude Popular, incorporando rádio, livro e formas de acesso:


Referências

Livro
Somos Todas Rosas, de Rosa Gonçalves
📌 Obra independente (edição própria, sem editora comercial)
📌 Atualmente na terceira edição
Onde comprar o livro
📲 Contato direto com a autora: (88) 9 9908-0787
📌 Disponível com a própria autora, na rádio comunitária e em espaços locais de circulação

Rádio Comunitária de Independência
📌 Programa Vida de Mulher, sábado, das 11h às 12h
📌 Transmissão via plataformas digitais como Rádio Net

📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular

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