Da Redação
Em entrevista ao Café com Democracia, professor analisa a política externa dos Estados Unidos, o papel de Israel no Oriente Médio e os impactos da disputa geopolítica sobre a economia global
A política externa dos Estados Unidos no Oriente Médio, a escalada dos conflitos envolvendo Israel e Irã e os interesses econômicos por trás das guerras contemporâneas foram os principais temas da edição de 11 de junho do programa Café com Democracia, apresentado por Luiz Regadas. O entrevistado foi o professor Nelson Campos, mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Durante a entrevista, transmitida pelo Comitê Popular pela Democracia, Nelson Campos defendeu a tese de que o Irã representa um obstáculo estratégico aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos na região. Para ele, a atuação do governo de Donald Trump esteve diretamente ligada à tentativa de ampliar a influência norte-americana sobre o Oriente Médio.
Logo no início da conversa, ao comentar as negociações entre Estados Unidos e Irã para um possível acordo de paz mediado na Suíça, Campos afirmou que a continuidade dos conflitos interessa a setores políticos específicos de Israel. Segundo ele, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depende da manutenção do estado de guerra para preservar sua sustentação política.
“O Irã é uma pedra no sapato do imperialismo trumpista”, resumiu o professor ao analisar a resistência iraniana diante da presença militar norte-americana na região.
Ao longo da entrevista, Nelson Campos argumentou que a política externa dos Estados Unidos tem sido marcada por sucessivas intervenções militares. Ele citou conflitos como os do Vietnã, Afeganistão, Iraque, Panamá e Haiti para sustentar sua avaliação de que Washington atua historicamente como potência agressora em diferentes partes do mundo.
“O agressor sempre são os norte-americanos, não se dá o nome dos agredidos”, declarou.
O professor também criticou o alinhamento dos Estados Unidos com governos autoritários do Oriente Médio. Para ele, existe uma contradição entre o discurso de defesa da democracia e as alianças mantidas por Washington com monarquias e regimes pouco democráticos da região.
Outro ponto destacado foi a influência dos interesses econômicos sobre as decisões políticas. Campos associou a indústria bélica à perpetuação de guerras e afirmou que grandes grupos econômicos exercem forte pressão sobre governos e instituições.
“Quanto mais dinheiro, mais poder”, afirmou ao discutir a relação entre poder econômico, decisões políticas e conflitos internacionais.
Ao comentar o cenário interno dos Estados Unidos, o professor fez duras críticas ao presidente Donald Trump. Segundo ele, o atual líder norte-americano tem adotado práticas que fragilizam instituições democráticas e alimentam discursos de intolerância política.
Campos também abordou a disputa global em torno da hegemonia do dólar. Na avaliação do entrevistado, o crescimento dos BRICS e o fortalecimento das relações econômicas entre países como Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul representam desafios ao modelo de predominância financeira dos Estados Unidos.
“O que preocupa os Estados Unidos é a possibilidade de surgir um bloco econômico soberano e independente que não dependa da dolarização da economia mundial”, avaliou.
A entrevista ainda tratou de temas como o papel da mídia, a influência do poder econômico no futebol, o avanço das casas de apostas esportivas e a instrumentalização política de símbolos nacionais. Para Nelson Campos, as disputas geopolíticas atuais não podem ser compreendidas sem levar em conta os interesses econômicos que movimentam governos, corporações e mercados internacionais.
Ao encerrar a conversa, o professor reiterou sua defesa de uma ordem internacional multipolar e de mecanismos que reduzam a dependência global em relação aos Estados Unidos, especialmente no campo financeiro e militar.
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