Da Redação
Forte abalo teve epicentro em Chocó, atingiu duramente Pereira, Manizales, Quibdó e Cáli, provocou desabamentos e interrompeu operações em aeroportos. Equipes ainda procuram vítimas sob escombros e balanço permanece provisório.
A Colômbia enfrenta nesta segunda-feira (10) uma das mais graves emergências naturais dos últimos anos. Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste do país, deixando ao menos 21 mortos, dezenas de feridos e um cenário de destruição em diferentes cidades. Equipes de emergência continuam trabalhando entre edifícios desabados, o que significa que o número de vítimas ainda poderá aumentar nas próximas horas.
O epicentro foi localizado nas proximidades de San José del Palmar, no departamento de Chocó. Segundo os dados reproduzidos pelo Brasil 247, o tremor ocorreu a cerca de 110 quilômetros de profundidade. O terremoto foi sentido a centenas de quilômetros de distância, alcançando Bogotá e países vizinhos, como Equador e Venezuela. Há também relatos de que o tremor foi percebido em Manaus, no Amazonas.
A dimensão da tragédia começou a ficar mais clara conforme autoridades municipais conseguiram estabelecer contato com as áreas atingidas. Pereira aparece até agora como a cidade com maior número de vítimas: 18 mortes foram confirmadas preliminarmente, segundo informações do prefeito Mauricio Salazar. Operações de busca e salvamento permanecem em andamento.
Em Manizales, duas pessoas morreram. Mais de uma dezena de edifícios sofreu destruição parcial ou total e mais de 20 residências foram destruídas, segundo o balanço divulgado pela Associação Colombiana de Capitais. A Catedral Basílica Metropolitana também sofreu danos.
Quibdó registrou preliminarmente outra morte, além de feridos e danos graves em edificações. A soma das vítimas confirmadas nessas cidades elevou para 21 o balanço preliminar divulgado pelas autoridades colombianas, acima dos 20 mortos registrados nos primeiros despachos internacionais.
Cáli enfrenta outra frente crítica da operação de emergência. Segundo as informações disponíveis até o início da tarde, houve desabamentos e equipes de salvamento trabalham para localizar pessoas que podem estar presas sob os escombros. A extensão total dos danos ainda não foi consolidada.
A rapidez com que o balanço passou de 20 para 21 mortos demonstra a necessidade de cautela. Trata-se de uma emergência em desenvolvimento, com números sujeitos a revisão conforme equipes de resgate chegam às regiões mais afetadas e inspecionam construções comprometidas.
Aeroportos são atingidos
O terremoto também atingiu infraestrutura estratégica.
A Aeronáutica Civil colombiana informou a ocorrência de danos em terminais aeroportuários de Pereira, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura. As operações foram suspensas temporariamente em aeroportos afetados enquanto equipes técnicas avaliam a segurança das estruturas.
No Aeroporto Internacional Matecaña, em Pereira, parte do teto do saguão desabou, segundo o relato publicado pelo 247. A interrupção do transporte aéreo acrescenta um problema logístico justamente quando o país precisa deslocar equipes especializadas, equipamentos e ajuda humanitária para as áreas mais atingidas.
Bogotá, apesar do forte tremor sentido pela população, não registrava danos estruturais graves no balanço divulgado pela Asocapitales. A capital colocou 100 socorristas à disposição para serem enviados às regiões prioritárias, numa operação de solidariedade entre as cidades colombianas.
O desastre atingiu o país justamente no início de uma nova administração nacional. Segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira, o presidente Abelardo de la Espriella assumiu a coordenação da resposta federal e anunciou deslocamento para Pereira, epicentro humano da tragédia até este momento.
Réplicas mantêm população em alerta
Depois do terremoto principal, novas movimentações sísmicas foram registradas. Cerca de uma hora depois, ocorreu uma réplica de magnitude 5,0, segundo os dados publicados pelo Brasil 247.
A possibilidade de réplicas representa um risco adicional. Edificações parcialmente danificadas pelo primeiro tremor podem tornar-se ainda mais vulneráveis, enquanto bombeiros e socorristas precisam trabalhar em estruturas instáveis para localizar sobreviventes.
Apesar da violência do terremoto e de seu impacto sobre regiões próximas ao Pacífico, não havia alerta de tsunami relacionado ao evento na atualização consultada.
A Colômbia está situada numa região de elevada atividade tectônica, condicionada pela interação de diferentes placas. Terremotos fazem parte da realidade geológica do país, embora eventos dessa magnitude sejam muito menos frequentes. A força do abalo desta segunda-feira transformou uma ocorrência geológica em uma emergência nacional.
Tragédia expõe importância da infraestrutura pública
Depois da etapa imediata de busca e salvamento, a Colômbia terá diante de si outra tarefa: reconstruir moradias, equipamentos públicos, vias e infraestrutura danificada.
Catástrofes dessa dimensão também evidenciam como os efeitos de um fenômeno natural são profundamente condicionados pelas desigualdades sociais. Famílias pobres frequentemente habitam construções mais vulneráveis, dispõem de menos recursos para abandonar áreas de risco e enfrentam maiores dificuldades para reconstruir suas vidas depois de perder casa, trabalho e patrimônio.
Por isso, a resposta a um terremoto não termina quando o último sobrevivente é retirado dos escombros. Ela exige Estado presente, sistema público de saúde, defesa civil estruturada, planejamento urbano, políticas habitacionais e recursos públicos capazes de impedir que a tragédia natural se transforme em abandono social.
Para a América Latina, o desastre colombiano representa também um chamado à solidariedade regional. Países vizinhos possuem equipes de busca, hospitais, aeronaves, equipamentos e experiências acumuladas em grandes catástrofes que podem ser mobilizados quando solicitados pelo governo colombiano.
O momento exige, acima de qualquer divergência política, cooperação entre os povos latino-americanos.
Nesta segunda-feira, entretanto, a prioridade permanece onde ela precisa estar: salvar quem ainda possa estar vivo sob os escombros, atender os feridos, garantir abrigo às famílias desalojadas e fazer chegar ajuda às regiões mais atingidas.
Com operações de busca ainda em curso, os 21 mortos constituem um balanço preliminar, e novas atualizações das autoridades colombianas serão determinantes para conhecer a verdadeira dimensão da tragédia.






