O ano de 2026 se aproxima e, com ele, uma das eleições mais decisivas da história recente do Brasil. Não será um pleito comum. Não se tratará apenas de escolher um nome para ocupar o Palácio do Planalto ou uma cadeira no Congresso Nacional.
Por Ludimila Cindra Advogada, ativista dos Direitos Humanos
Será, acima de tudo, a oportunidade de definirmos que país queremos ser daqui para frente — e, mais do que isso, que tipo de brasileiros e brasileiras queremos nos tornar. A pergunta que ecoa nos movimentos sociais, nas ruas, nas periferias e nos centros urbanos não é mais “em quem votar”. É “para onde ir”. E essa mudança de chave é fundamental.
O presidente e a reconstrução da soberania Eleger Lula em 2026 é reafirmar que o Brasil não se curva. É recolocar o país no mapa do mundo como protagonista, não como coadjuvante. É resgatar uma política externa independente, que dialogue com todos os blocos sem submissão a qualquer um. É fortalecer o Mercosul, retomar parcerias estratégicas com os Brics e com o continente africano, e recolocar a voz brasileira nos fóruns globais com a dignidade que sempre teve — mas que foi abandonada nos últimos anos.
Não se trata de alinhamento automático a esta ou aquela potência. Trata-se de soberania. Trata-se de negociar de igual para igual, com olhos nos interesses nacionais e na defesa do nosso povo. É o Brasil voltando a ser o Brasil que aprendeu a construir pontes, não muros. Mas é preciso ser realista: Lula sozinho não faz milagre. Nenhum presidente, por mais experiente e comprometido que seja, consegue transformar um país continental com as mãos atadas por um Congresso hostil.
Como advogada e ativista dos Direitos Humanos, tenho visto de perto o que acontece quando o Estado se omite: direitos fundamentais são violados, a desigualdade se aprofunda e a população mais vulnerável fica desamparada. A mudança não virá de cima para baixo — virá da força organizada do povo e de representantes comprometidos com a causa social.
O Congresso que o povo precisa eleger Por isso, eleger um Congresso amigo do povo é tão essencial quanto — e talvez até mais urgente — do que a escolha do chefe do Executivo. O parlamento brasileiro, nos últimos anos, tem se notabilizado por legislar em causa própria, por engavetar pautas prioritárias para a população e por se distanciar cada vez mais das reais necessidades de quem vive e sustenta este país.
Um Congresso verdadeiramente representativo é aquele que olha para a fila do SUS, para a sala de aula superlotada, para a mesa vazia de quem não tem o que comer, para a mulher que não tem acesso 1a seus direitos, para o jovem que não encontra emprego, para o trabalhador que vê seu salário ser corroído pela inflação. É um parlamento que coloca o interesse público acima de interesses privados. Que não se curva a bancadas minoritárias que sequestram a pauta nacional.
Que debate, vota e aprova projetos que ampliem direitos, reduzam desigualdades e promovam justiça social. Do ponto de vista jurídico e humanitário, a função do Legislativo vai além de produzir leis: é seu dever assegurar que essas leis sejam instrumentos efetivos de transformação social. Infelizmente, o que temos visto é um parlamento que muitas vezes atua contra os próprios princípios constitucionais, priorizando privilégios em detrimento do bem comum.
Os pilares de um novo Brasil Juntos — presidente comprometido com o povo e Congresso igualmente aliado das causas populares — podemos construir um país baseado em quatro pilares fundamentais:
1. Soberania nacional Sem submissão a interesses estrangeiros. Com controle sobre nossas riquezas, nosso território e nosso destino. O Brasil não é quintal de ninguém. A soberania é a base para que todos os demais direitos possam ser exercidos plenamente.
2. Justiça social Reduzir as abissais desigualdades que marcam nossa história. Garantir acesso à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho digno e à alimentação para todos e todas. Não como favor, mas como direito. Como advogada, sei que o acesso à justiça e a efetivação de direitos são o que separa a cidadania plena da exclusão social.
3. Desenvolvimento sustentável Crescer sem destruir. Gerar emprego e renda com respeito ao meio ambiente. Valorizar a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e todos os biomas como patrimônios vivos e fontes de um futuro possível. O desenvolvimento sustentável é também uma questão de direitos humanos — das gerações presentes e futuras.
4. Democracia de verdade Aquela que não se resume a votar de quatro em quatro anos. Democracia participativa, com controle social, transparência, liberdade de expressão e respeito à diversidade. O poder emana do povo — e ao povo deve servir. Democracia se fortalece com a voz ativa da sociedade civil, com a defesa intransigente dos direitos humanos e com a coragem de denunciar toda forma de opressão.
O poder emana do povo A Constituição Federal é clara: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Em 2026, o povo brasileiro terá a oportunidade de fazer esse poder ser 2exercido, de fato, por quem está conosco — por quem caminha ao nosso lado, sente as mesmas dores e sonha com os mesmos dias melhores. Não se trata de uma campanha qualquer. Trata-se de um movimento. De um projeto coletivo de nação que precisa ser abraçado por cada cidadão e cada cidadã conscientes de que o futuro não se constrói com indiferença.
A luta pelos Direitos Humanos me ensinou que silêncio também é uma escolha. E que a omissão diante das injustiças é uma forma de cumplicidade. Por isso, convoco cada leitor e leitora a sair da passividade e ocupar o lugar de protagonista na construção do Brasil que queremos. A hora é agora O cenário é desafiador. O sistema político, com sua fragmentação e seus interesses arraigados, não se transforma por decreto. Exige pressão popular, vigilância constante, participação ativa. Mas a história nos ensina que mudanças profundas só acontecem quando o povo decide que não aceita mais o que sempre foi aceito.
Em 2026, não vamos às urnas apenas para escolher um nome. Vamos para definir o rumo. Vamos para dizer, com nossa voz e nosso voto, que tipo de país queremos construir — e, mais do que isso, que tipo de gente queremos ser. Porque o Brasil não é de uns poucos. O Brasil é de todos nós. E é por isso que, juntos, presidente e Congresso aliado, vamos seguir em frente. Com soberania, com justiça, com desenvolvimento e com democracia. O poder emana do povo. E em 2026, o povo vai fazer esse poder ser exercido por quem realmente está conosco.
Ludimila Cindra é advogada, ativista dos Direitos Humanos, membra da Rede Lawfare Nunca Mais, apresentadora do programa Trilhas da Soberania no Canal Código Aberto.


