Da Redação
A composição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para os próximos quatro anos mantém uma ampla maioria alinhada ao governador Elmano de Freitas (PT), reeleito no primeiro turno neste domingo (4), mas apresenta uma mudança significativa no campo oposicionista. O PL ampliou sua bancada de quatro para seis deputados e se tornou a principal força de oposição ao governo estadual. As informações têm como base o levantamento publicado pelo O POVO após a apuração das eleições.
Das 46 cadeiras da Alece, pelo menos nove deverão ser ocupadas por parlamentares identificados como oposição ao governo Elmano, número semelhante ao da atual legislatura. A diferença está na composição desse grupo. O PL cresce, enquanto o PSDB, partido de Ciro Gomes, perde cadeiras e passa a ter uma bancada menor na Casa.
O avanço do PL é um dos principais resultados da eleição estadual. A legenda elegeu seis deputados: Tancredo dos Santos, Bella Carmelo, Abreu Júnior, Dra. Silvana, Dra. Mayra Pinheiro e Pastor Frota. Apenas Dra. Silvana conseguiu renovar o mandato. Os demais chegam à Assembleia para a próxima legislatura. Tancredo foi o mais votado entre os oposicionistas, com 151.396 votos, seguido por Bella Carmelo, com 130.802, e Abreu Júnior, com 127.034.
A nova bancada também representa uma renovação geracional e política da oposição. Bella Carmelo, vereadora de Fortaleza, chega à Alece depois de uma votação expressiva. Dra. Mayra Pinheiro, que já ocupou cargos no governo Jair Bolsonaro, também retorna ao cenário político estadual por meio do Legislativo cearense. Pastor Frota completa a bancada do PL.
O PSDB, por sua vez, sofreu uma redução. A legenda tinha cinco deputados na composição anterior e elegeu três para a próxima legislatura: Felipe Vasques, Davi Benevides e Emilia Pessoa. Apenas Emilia Pessoa conseguiu a reeleição. Outros parlamentares que haviam migrado para o partido durante a janela partidária, como Antônio Henrique, Claudio Pinho, Felipe Mota, Heitor Férrer, Queiroz Filho e Sargento Reginauro, não conquistaram novo mandato.
O resultado tem uma particularidade política. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, apoiou Ciro Gomes na disputa pelo Governo do Ceará, mas os três deputados eleitos pela federação para a Alece deverão integrar a base de Elmano. Foram eleitos Zezinho Albuquerque, do Progressistas, com 82.693 votos, Moses Filho, do União Brasil, com 82.423, e James Bel, também do União Brasil, com 52.070.
Com isso, a configuração da oposição não pode ser definida apenas pela posição nacional dos partidos. O comportamento das bancadas no Ceará será influenciado pelas alianças estaduais construídas durante a eleição e pelas relações políticas de cada parlamentar com o Executivo. O caso da União Progressista é o exemplo mais claro dessa diferença entre a aliança eleitoral de Ciro e a composição da futura Assembleia.
A base de Elmano, por outro lado, permanece numericamente confortável. O PSB será a maior bancada da Casa, com 13 deputados eleitos. Entre eles estão Romeu Aldigueri, Osmar Baquit, Sérgio Aguiar, Guilherme Landim, Jeová Mota, Fabiola Carneiro, Marcos Sobreira, Elizeu Monteiro, Paloma Nunes, Manu Pimenta, Marta Gonçalves, Dr. Geronimo e Lia Gomes.
O PT terá 12 cadeiras, com nomes como Liziany Medeiros, Laís Nunes, Jade Romero, Catanho, Jô Farias, De Assis Diniz, Franzé Carneiro, Missias Dias, Gadyel, Ilo Neto, João Jaime e Moisés Braz. Somadas às bancadas de PSB e PT, as duas siglas concentram 25 das 46 cadeiras da Assembleia.
Outras legendas também devem integrar a sustentação do governo. O PSD elegeu três deputados, enquanto Republicanos terá dois. A federação União Progressista terá outros três parlamentares. MDB e Solidariedade terão uma cadeira cada. O conjunto mantém uma maioria suficiente para que Elmano tenha condições de aprovar projetos de interesse do Executivo com relativa facilidade, embora as alianças possam variar de acordo com cada matéria.
O Psol ampliou sua presença de um para dois deputados, com Gabriel Aguiar e Leo Suricate. A legenda, porém, não terá uma posição uniforme diante do governo. Gabriel Aguiar mantém postura independente e crítica, enquanto Leo Suricate é alinhado a Elmano.
A renovação também alcançou outros setores da Assembleia. Doze deputados que integravam a atual composição não disputaram a reeleição ao cargo. Sete buscaram uma vaga na Câmara dos Deputados, um concorreu ao Senado e quatro não disputaram cargos eletivos.
O resultado estadual acompanha a vitória de Elmano na disputa pelo Executivo. O governador foi reeleito com 53,19% dos votos válidos, enquanto Ciro Gomes terminou com 46,22%. A diferença ficou em pouco mais de 375 mil votos.
A correlação de forças na Alece, portanto, combina continuidade e renovação. Elmano preserva uma base parlamentar ampla para seu segundo mandato, enquanto o PL transforma sua presença na Assembleia e assume a condição de principal bancada oposicionista. O PSDB, apesar de permanecer como força relevante, deixa de ocupar o espaço que tinha na legislatura anterior.
O novo cenário também modifica a disputa política dentro do Ceará. Com seis cadeiras, o PL terá maior capacidade de organizar a oposição ao governo estadual, enquanto o grupo de Ciro Gomes chega à Assembleia reduzido. A eleição, nesse sentido, não apenas definiu os 46 parlamentares que ocuparão a Alece, mas redesenhou os principais polos de oposição ao segundo mandato de Elmano.





