Presidente afirma acreditar em Fábio Luís, diz que não pedirá encerramento de inquéritos e cobra rapidez da Justiça no caso Banco Master
Da Redação
O Presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (14) que acredita na inocência do filho Fábio Luís Lula da Silva, mas defendeu que as investigações envolvendo seu nome continuem e disse ter orientado os advogados a não pedirem o encerramento dos processos. Em entrevista a Déia Freitas, do Não Inviabilize, e ao podcast As Cunhãs, Lula também reclamou da demora da Justiça nas apurações relacionadas ao Banco Master.
Lula associou a sucessão de acusações contra o filho aos períodos eleitorais, mas afirmou que uma eventual responsabilidade deverá ser apurada normalmente. Fábio Luís é alvo de inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência. Sua defesa nega irregularidades e questiona vazamentos relacionados às investigações.
“Eu quero que ele seja investigado”
Ao falar sobre o filho, Lula afirmou que não pretende utilizar a Presidência para interferir nas investigações e disse ter dado uma orientação expressa aos advogados da família: nenhum pedido deverá ser apresentado para encerrar os procedimentos.
“Eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho. Quer fazer inquérito, faça. Eu quero que ele seja investigado. Não tem problema nenhum”, declarou.
Lula afirmou acreditar no filho, mas reconheceu que não pode responder por ele sobre os fatos investigados. “Só ele sabe a verdade. Ele sabe se fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue, não se acovarde. Se meu filho tiver culpa, ele pagará”, afirmou.
Na mesma declaração, Lula relacionou o momento das acusações ao calendário político. “Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Em toda eleição aparece meu filho”, disse.
Lula lembra impacto da Lava Jato sobre a família
O Presidente Lula também mencionou as consequências que as investigações da Operação Lava Jato tiveram sobre sua família e citou a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em 2017 após sofrer um AVC.
“Ele viu a mãe dele morrer por conta da Lava Jato. Não é fácil uma mãe aguentar o que a Marisa aguentou. E meu filho sabe que ele não pode fazer nada errado. Ele jura por tudo que é sagrado que ele não tem nada. E eu acredito nele”, declarou.
Lula também citou os 580 dias em que permaneceu preso em Curitiba e afirmou que o filho deve enfrentar as investigações sem tentar evitá-las. As condenações de Lula na Lava Jato foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a incompetência da Justiça Federal do Paraná para julgar os processos.
Presidente cobra rapidez no caso Banco Master
Lula também abordou as investigações envolvendo o Banco Master e criticou a demora na conclusão dos processos. Segundo ele, desde que o Banco Central identificou problemas na instituição, sua orientação foi para que os órgãos responsáveis atuassem tecnicamente, sem proteção ou perseguição a qualquer pessoa.
“Quando eu fui procurado pela primeira vez pelo Banco Central para apurar a questão do Banco Master, eu disse ao presidente do Banco Central o seguinte: eu não quero que você persiga ninguém. Quero que você faça o que a lei exige que você faça. Quem tiver errado que pague o preço”, relatou.
O Presidente Lula afirmou que a atuação administrativa avançou, mas considera que a resposta judicial precisa ser mais rápida. Ele citou o fechamento do Banco Master e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, além da quantidade de pessoas alcançadas pelas investigações.
“O que nós esperamos é que a Justiça saia da sua morosidade e entregue logo. Esse é o caso do Banco Master”, afirmou.
Lula também fala das fraudes no INSS
Durante a entrevista, Lula voltou a defender a atuação de seu governo diante do esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. Segundo ele, a própria administração federal identificou as irregularidades e levou o caso às autoridades responsáveis.
“Sabe quem descobriu a quadrilha no INSS? O governo. Sabe quem denunciou? O governo”, afirmou. Lula disse ainda que chegou a defender que o próprio PT tomasse a iniciativa de pedir uma CPI para investigar o caso, por considerar previsível que a oposição utilizaria politicamente as denúncias.
O Presidente Lula afirmou que mais de R$ 4 bilhões já foram devolvidos aos aposentados atingidos e citou prisões, bloqueios de bens e punições a entidades envolvidas nas irregularidades. As investigações sobre responsabilidades individuais e eventuais conexões políticas do esquema permanecem em andamento.
Lula evita avaliar atuação do STF
Questionado sobre as investigações e as tensões recentes entre instituições, Lula evitou avaliar decisões específicas do Supremo. Segundo ele, uma manifestação presidencial poderia interferir na discussão institucional em um momento marcado por conflitos entre integrantes do Congresso e ministros da Corte.
“É muito difícil para um presidente dar um parecer sobre como ele está vendo uma investigação. É muito delicado. Porque quando eu disser alguma coisa, eu estarei fazendo juízo de valores”, afirmou.
Lula disse acompanhar as ameaças de impeachment contra ministros e as denúncias envolvendo integrantes das instituições, mas afirmou que não pretende contribuir para o desgaste institucional. Em relação ao próprio filho, manteve a posição de que as investigações devem prosseguir e que eventual responsabilidade precisa ser determinada pelas autoridades competentes.



