Durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, Presidente Lula classificou como “pirataria” a proposta atribuída ao presidente dos Estados Unidos e afirmou que o Brasil busca reduzir os impactos do conflito sobre os preços internos
Da Redação
Em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), nesta segunda-feira (13), o Presidente Lula dedicou parte de seu discurso para comentar a escalada das tensões no Oriente Médio e fazer críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As declarações foram feitas durante evento voltado à pesquisa em biocombustíveis e tiveram como foco a guerra envolvendo Irã e Estados Unidos, seus reflexos sobre o mercado internacional de petróleo e a proposta anunciada por Trump de cobrar uma taxa sobre embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz. A informação sobre a proposta de Trump foi divulgada após publicação do presidente norte-americano nas redes sociais. ([InfoMoney][1])
Lula abordou o tema em dois momentos distintos do pronunciamento. Primeiro, durante a fala principal, ao relacionar a crise internacional à importância dos biocombustíveis para reduzir a dependência mundial do petróleo. Depois, ao encerrar o evento, voltou ao assunto para fazer uma crítica mais contundente à política norte-americana para a região.
Ao comentar a declaração de Trump de que os Estados Unidos pretendem garantir a navegação no Estreito de Ormuz mediante a cobrança de uma taxa sobre a carga transportada, Lula comparou a iniciativa à pirataria.
“Ele fez um tweet dizendo que vai desobstruir, mas cada navio que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava pirataria.”
Na avaliação do presidente brasileiro, a proposta rompe com princípios que historicamente orientaram a atuação internacional dos próprios Estados Unidos.
“Um Estado importante como os Estados Unidos, que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode agora virar pirata.”
A fala ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e qualquer instabilidade na região costuma provocar alta nas cotações internacionais da commodity. ([InfoMoney][1])
Guerra chega ao preço dos alimentos
Lula também afirmou que os efeitos do conflito já começam a atingir economias de diversos países, inclusive o Brasil. Segundo ele, a elevação dos preços internacionais do petróleo tende a pressionar custos de transporte e, consequentemente, alimentos consumidos pela população.
“O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, do tomate, da cebola, porque tornou o combustível mais caro.”
O presidente acrescentou que gasolina e diesel também sofreriam pressão de alta, mas afirmou que o governo adotou medidas para reduzir esse impacto sobre o mercado interno.
Segundo Lula, o governo decidiu elevar a tributação sobre o petróleo exportado pelo Brasil como forma de criar uma compensação que permita amortecer os efeitos da crise internacional.
“Nós aumentamos 12% no imposto para subsidiar os brasileiros, para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do seu Trump.”
Biocombustíveis como resposta
Ao conectar o cenário internacional à pauta principal do evento, Lula defendeu que o Brasil acelere investimentos em combustíveis renováveis para reduzir a dependência do petróleo.
Segundo o presidente, o país reúne condições naturais e tecnológicas para liderar essa transição por meio da produção de etanol, biodiesel e outras fontes renováveis.
“O Brasil não precisa morrer por conta do petróleo. O petróleo é importante para nós. Nós vamos continuar pesquisando, mas ao longo do tempo vamos preparando o Brasil e a humanidade para viver sem combustível fóssil.”
Ele afirmou que o país pode produzir biocombustíveis a partir de diferentes culturas agrícolas e destacou que essa estratégia amplia a segurança energética e reduz a vulnerabilidade diante de crises internacionais.
Nova crítica no encerramento
Antes de deixar o Instituto Mauá, Lula voltou ao tema e reiterou as críticas à atuação dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos provocam uma guerra e agora começam a cobrar pelos navios que atravessarem sob sua segurança. Não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório.”
Em seguida, contrapôs a proposta atribuída a Trump ao modelo que defende para o Brasil.
“Quem quiser comprar biodiesel pode vir aqui que a gente não vai cobrar nada. Vai cobrar só o preço justo daquilo que a gente está produzindo.”
As declarações reforçaram o discurso do presidente em defesa dos biocombustíveis como alternativa estratégica para reduzir a dependência do petróleo e diminuir os efeitos econômicos provocados por conflitos internacionais sobre consumidores brasileiros.






