Documentos indicam que senador teria sido cadastrado como usuário de conta bancária ligada ao advogado, investigado por movimentações milionárias no setor de apostas e suspeitas relacionadas ao INSS. Caso foi encaminhado ao STF e distribuído a Alexandre de Moraes; campanha contesta a existência de novo inquérito formal contra o candidato.
Da Redação
Uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, administrada pelo advogado Willer Tomaz, tornou-se um dos principais elementos de uma investigação da Polícia Federal que alcançou o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo documentos obtidos pelo Estadão e examinados por outros veículos de imprensa, o parlamentar teria sido cadastrado como “usuário master” de uma estrutura bancária relacionada ao advogado, com quem mantém uma relação de proximidade pessoal e profissional. A descoberta ocorreu durante a análise de mensagens, arquivos eletrônicos e movimentações financeiras de Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e irregularidades associadas ao setor de apostas. A investigação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator.
A revelação, divulgada no domingo (18) e repercutida nesta segunda-feira, 19 de outubro, ocorre na última semana da campanha presidencial e acrescenta novas informações sobre relações empresariais e financeiras do senador. Além do possível acesso à conta bancária, a Polícia Federal examina registros de viagens internacionais, documentos pessoais, encontros e operações realizadas por empresas ligadas ao advogado. Flávio e Willer negam ter compartilhado uma conta e rejeitam qualquer envolvimento em operações ilegais.
Existe, entretanto, uma divergência sobre a situação processual do caso. A campanha do senador afirma que os documentos remetidos ao Supremo ainda não foram convertidos em um novo inquérito judicial, pois não houve manifestação da Procuradoria-Geral da República nem decisão do relator sobre a abertura formal do procedimento. A remessa à Corte e a distribuição a Moraes foram noticiadas por diferentes veículos; o estágio jurídico exato das providências relacionadas ao parlamentar permanece sujeito aos atos processuais correspondentes.
O caso surgiu a partir de uma investigação conduzida originalmente no Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal apurava suspeitas de utilização de plataformas de apostas e empresas relacionadas para movimentar recursos de origem possivelmente irregular. Durante o trabalho, os investigadores obtiveram acesso a informações armazenadas em serviços digitais de Willer Tomaz, incluindo mensagens eletrônicas, documentos e arquivos disponíveis em sua conta do iCloud.
A análise revelou movimentações financeiras consideradas relevantes e uma rede de relações pessoais, empresariais e profissionais envolvendo integrantes do poder público. Entre os documentos examinados, os policiais identificaram referências ao senador Flávio Bolsonaro, o que levou à avaliação sobre a necessidade de encaminhar parte das informações ao Supremo, em razão das regras constitucionais de competência aplicáveis a parlamentares federais.
Segundo trechos do relatório reproduzidos pelo Poder360, a Polícia Federal identificou registros de festas, encontros, reuniões e documentos pessoais do senador armazenados nos arquivos do advogado. Esses elementos, analisados em conjunto com informações bancárias, motivaram o aprofundamento da apuração sobre a natureza da relação entre os dois.
A proximidade pessoal não é contestada por Flávio. O senador já declarou publicamente que mantém amizade com Willer Tomaz, mas rejeita a existência de uma sociedade financeira irregular ou de participação em atividades ilícitas.
Cadastro bancário é um dos pontos centrais da investigação
A informação que levou o nome de Flávio ao centro da nova investigação envolve uma conta mantida no Santander em nome da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz.
De acordo com a apuração de Malu Gaspar, de O Globo, mensagens eletrônicas obtidas pela Polícia Federal indicam que o senador teria figurado como usuário com privilégios administrativos nessa estrutura bancária.
Em maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz teria solicitado ao banco a exclusão de cadastros associados ao nome de Flávio Bolsonaro e ao próprio advogado.
O Santander confirmou o atendimento à solicitação de exclusão, conforme os documentos descritos pela reportagem.
A expressão “usuário master” costuma designar, em sistemas bancários empresariais, um perfil com determinadas permissões administrativas. Entretanto, o alcance concreto dessas permissões depende das regras da instituição, do tipo de conta e das autorizações efetivamente concedidas.
Por isso, a existência de um cadastro não demonstra automaticamente que o usuário tenha realizado transferências, autorizado pagamentos ou controlado recursos financeiros.
Para estabelecer eventual participação em operações irregulares, seria necessário examinar registros de acesso, autorizações de movimentação, documentos bancários e a origem e destinação dos valores investigados.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam que tenham compartilhado uma conta bancária.
Os dois sustentam que as mensagens divulgadas não comprovam a existência de uma relação financeira ilícita.
A investigação procura esclarecer se os registros correspondem a uma autorização efetiva de acesso, qual seria sua finalidade e se existiram operações realizadas pelo senador.
Segundo o Poder360, uma das contas de Tomaz movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Os investigadores consideram necessário aprofundar o exame da origem e da destinação desses valores.
Esse montante, porém, não pode ser atribuído automaticamente a Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma movimentação relacionada à estrutura financeira examinada pela PF, sem comprovação pública de participação do senador nas transações.
A diferença entre manter proximidade com o titular de uma conta, possuir determinado cadastro bancário e efetivamente movimentar recursos é essencial para estabelecer a responsabilidade de cada pessoa.
Empresas de apostas e movimentações bilionárias
A investigação sobre Willer Tomaz também alcança suas relações com o setor de apostas eletrônicas.
O advogado está associado à Rede Loto, empresa que recebeu autorização do governo do Rio de Janeiro para atuar no setor em 2023. Sua situação empresarial e as condições de operação integram os elementos examinados pela Polícia Federal.
Outra frente envolve movimentações realizadas na plataforma Blaze.
Segundo reportagem do UOL, investigadores identificaram operações financeiras de grande valor relacionadas ao advogado e a empresas utilizadas no setor de apostas. A apuração examina a hipótese de que transações entre diferentes contas tenham servido para ocultar a origem ou a destinação de recursos.
A investigação também procura esclarecer a existência de eventuais vínculos societários não declarados entre Tomaz e empresas de apostas.
O advogado rejeita essa suspeita.
Em uma disputa judicial separada, Tomaz afirma ter perdido R$ 163,2 milhões em jogos de cassino virtual durante 2025. Documentos dessa ação mencionam aproximadamente R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,96 bilhões em perdas contabilizadas pela plataforma.
Esses números exigem interpretação cuidadosa. Valores acumulados de apostas e prêmios não equivalem necessariamente à quantidade de dinheiro próprio efetivamente aportada por uma pessoa. Recursos podem circular repetidamente em operações sucessivas, produzindo registros brutos muito superiores ao capital inicialmente utilizado.
Da mesma maneira, um volume expressivo de apostas não comprova, isoladamente, lavagem de dinheiro.
A apuração criminal depende da identificação da origem dos recursos, do percurso das transações e de eventuais mecanismos destinados a ocultar sua procedência ilícita.
Tomaz afirma que sua relação com a Blaze decorre de atividades pessoais de jogo e que ajuizou uma ação por considerar que a plataforma não adotou medidas adequadas para impedir a continuidade de suas apostas.
A empresa e o advogado negam a existência de sociedade oculta ou de participação em operações criminosas.
O conjunto de informações financeiras está sob exame das autoridades, mas não há demonstração pública de que Flávio Bolsonaro tenha participado das apostas ou das movimentações bilionárias atribuídas ao advogado.
A vinculação do senador à investigação decorre de outros documentos, especialmente os registros bancários e as relações identificadas nos arquivos eletrônicos de Tomaz.
Viagens internacionais ampliaram o interesse dos investigadores
A Polícia Federal também identificou registros de viagens realizadas por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz ao longo de 2025.
Segundo a documentação descrita por O Globo, os dois participaram de pelo menos cinco deslocamentos internacionais durante o primeiro semestre daquele ano.
Uma das viagens ocorreu em março, quando o senador esteve na África do Sul acompanhado de familiares e amigos. Willer Tomaz integrou o grupo, que participou de atividades turísticas, incluindo um safári.
Outros registros mencionam deslocamentos a Portugal e à França.
Fotografias, reservas de hotéis, documentos de transporte e mensagens sobre contratação de veículos foram encontrados nos arquivos examinados pelos investigadores.
A PF procura esclarecer as condições de financiamento dessas viagens, especialmente diante da existência de empresas ligadas ao advogado que teriam participado da contratação de serviços.
Uma das companhias mencionadas é a Cathedral Holding, apontada em documentos relacionados à aquisição de passagens aéreas.
Segundo as reportagens, registros indicariam que a empresa atuou como intermediária no custeio de deslocamentos envolvendo integrantes das famílias de Flávio e Tomaz.
O advogado afirma que a Cathedral é uma holding patrimonial e nega movimentações financeiras irregulares.
A realização de viagens particulares entre amigos não constitui crime. Da mesma forma, o pagamento de despesas por uma empresa exige exame das circunstâncias antes que possa ser classificado como vantagem indevida.
O interesse investigativo está relacionado à possibilidade de identificar benefícios econômicos, suas fontes de financiamento e eventual conexão com operações financeiras sob suspeita.
Outro episódio envolve uma viagem realizada em janeiro de 2025, quando Flávio Bolsonaro, sua esposa e suas filhas viajaram de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília, acompanhados de Tomaz e familiares do advogado.
O deslocamento ocorreu em uma aeronave executiva operada pela Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, entre seus sócios.
Willer Tomaz declarou que contratou os serviços de aviação na condição de cliente e que desconhecia a participação societária de Vorcaro na companhia.
A utilização de uma aeronave operada por empresa que possuiu relações societárias com o ex-banqueiro não demonstra, por si só, transferência irregular de recursos ou participação em crimes financeiros.
Entretanto, o episódio acrescenta uma conexão empresarial ao conjunto de relações investigadas, especialmente diante de outras informações divulgadas sobre os contatos entre Flávio Bolsonaro e pessoas ligadas ao Banco Master.
Relação com Willer Tomaz é antiga e envolve atividades profissionais
A proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz não surgiu durante a atual campanha presidencial.
Em 2021, durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado, o parlamentar já havia se referido publicamente ao advogado como seu amigo.
Na ocasião, Flávio se posicionou contra iniciativas destinadas à quebra de sigilo de Tomaz, cuja atuação era objeto de questionamentos parlamentares.
Reportagens publicadas naquele período também registraram a presença do senador em uma propriedade do advogado localizada em Planaltina, no Distrito Federal, conhecida como Rancho Tomaz.
A relação se estendeu a atividades profissionais.
Segundo informações divulgadas por O Globo, os dois atuaram conjuntamente em procedimentos judiciais, incluindo uma disputa empresarial relacionada à execução de aproximadamente R$ 159 milhões envolvendo uma indústria do Rio Grande do Norte.
A existência de atuação profissional conjunta demonstra que a relação entre os dois não se restringe necessariamente à convivência social, mas tampouco constitui evidência automática de irregularidade.
Atividades jurídicas e empresariais precisam ser examinadas a partir de seus contratos, remunerações e obrigações específicas.
Outro elemento divulgado pela imprensa envolve um imóvel de alto padrão localizado na Vila Nova Conceição, em São Paulo.
Em agosto, Tomaz cedeu um apartamento para utilização por Flávio durante a campanha presidencial. Segundo reportagem da revista Piauí, o imóvel havia pertencido anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
O histórico de propriedade chama atenção em razão das investigações relacionadas ao Banco Master, mas não demonstra, isoladamente, que a cessão do apartamento tenha resultado de uma operação irregular.
Para examinar possíveis implicações eleitorais ou financeiras, seria necessário conhecer os termos da utilização, a existência de pagamento ou cessão gratuita e o tratamento atribuído à operação nas contas da campanha.
O conjunto dessas relações ajuda a explicar por que a Polícia Federal passou a examinar documentos relacionados ao senador.
A investigação procura determinar se os vínculos identificados correspondem exclusivamente a atividades pessoais e profissionais ou se houve movimentações financeiras juridicamente relevantes.
Até o momento, essa conclusão não foi apresentada publicamente pelas autoridades.
Investigação chegou ao Supremo em meio a outro procedimento envolvendo o Banco Master
A remessa da investigação ao STF ocorreu porque os documentos analisados passaram a envolver um senador da República, cuja situação exige observância das regras constitucionais sobre competência para apuração de determinadas condutas.
O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do procedimento.
Segundo o Poder360, a documentação chegou ao Supremo em 8 de outubro. Outras reportagens destacaram a distribuição do caso na semana passada.
A campanha de Flávio Bolsonaro contesta a utilização da expressão novo inquérito formal contra o candidato, afirmando que a documentação ainda aguarda análise da Procuradoria-Geral da República e eventual decisão judicial.
A diferença entre uma investigação policial encaminhada ao Supremo e um inquérito formalmente instaurado sob supervisão da Corte possui relevância processual.
O envio de documentos para avaliação judicial não equivale automaticamente ao reconhecimento de indícios suficientes para uma acusação criminal.
Também não representa indiciamento, apresentação de denúncia ou condenação.
Caso sejam autorizadas novas diligências, caberá às autoridades observar os requisitos legais para obtenção de provas e para eventual responsabilização dos investigados.
A situação ocorre paralelamente a outro procedimento que envolve Flávio Bolsonaro no Supremo.
Sob relatoria do ministro André Mendonça, a Polícia Federal investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
A investigação examina a origem e a circulação de recursos destinados ao projeto, incluindo negociações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Reportagens anteriores divulgaram mensagens nas quais Flávio participou de conversas sobre o financiamento da produção.
O senador afirma que a iniciativa envolvia patrocínio privado e nega qualquer prática ilegal.
As duas investigações possuem objetos diferentes.
O procedimento relatado por Mendonça está relacionado ao financiamento do filme e às operações financeiras associadas ao projeto.
Já a apuração encaminhada a Moraes examina suspeitas envolvendo Willer Tomaz, estruturas bancárias, empresas de apostas e possíveis relações financeiras com o senador.
A existência simultânea dos procedimentos não significa que os investigadores tenham demonstrado conexão criminosa entre todos os episódios.
Qualquer associação dessa natureza depende de provas específicas.
Defesa questiona divulgação em período eleitoral
A campanha de Flávio Bolsonaro reagiu à publicação das informações afirmando que a notícia sobre a existência de um novo inquérito judicial contra o senador é incorreta.
Segundo a assessoria, os documentos encaminhados ao Supremo ainda não foram objeto de decisão que formalize a investigação no âmbito da Corte.
Flávio classificou as acusações divulgadas pela imprensa como falsas e reiterou que não possui relação financeira irregular com Willer Tomaz.
O advogado também divulgou manifestação contestando a apuração.
Em nota reproduzida pelo Estadão e pelo Poder360, Tomaz questionou a divulgação de informações investigativas às vésperas do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado no domingo pela TV Bandeirantes.
Para ele, o vazamento possui finalidade política e apresenta suspeitas sem comprovação como se fossem fatos estabelecidos.
Tomaz também afirmou que a Rede Loto não operou como plataforma de apostas e que a Cathedral Holding possui natureza patrimonial.
O advogado negou circulação irregular de recursos entre as empresas mencionadas e criticou o acesso aos seus arquivos digitais, sustentando que a investigação estaria sendo utilizada para uma busca indiscriminada por informações.
As afirmações representam a posição dos envolvidos e deverão ser examinadas nos procedimentos correspondentes.
A proximidade da eleição torna relevante a transparência sobre a origem das informações divulgadas, mas não comprova, isoladamente, que a investigação ou sua publicação tenham sido organizadas para interferir no resultado das urnas.
Da mesma forma, o interesse público sobre possíveis relações financeiras de um candidato presidencial não dispensa cautela na apresentação de suspeitas ainda não comprovadas.
A divulgação de documentos investigativos deve distinguir os registros existentes, as hipóteses formuladas pelos policiais e as conclusões que poderão ser alcançadas depois de novas diligências.
No caso da conta associada à Alcazar Holdings, por exemplo, a existência de mensagens sobre o cadastramento do senador como usuário bancário constitui um elemento documental específico. A efetiva utilização desse acesso para movimentar recursos é uma questão diferente, que ainda precisa ser esclarecida.
A situação é semelhante às viagens internacionais e às relações empresariais. Os deslocamentos e contatos podem estar documentados, mas sua eventual natureza ilícita não decorre automaticamente dessas informações.
A caracterização de lavagem de dinheiro exige demonstrar a existência de recursos relacionados a infrações penais e de atos destinados a ocultar ou dissimular sua origem, localização, movimentação ou propriedade, conforme as circunstâncias previstas na legislação.
Sem a identificação dessas condutas, uma relação de amizade ou a utilização de serviços comerciais não permite concluir que houve participação no crime.
As informações divulgadas neste fim de semana mostram que a Polícia Federal identificou elementos suficientes para aprofundar uma apuração sobre as relações de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro e encaminhá-la ao Supremo Tribunal Federal.
Os registros sobre cadastro bancário, movimentações financeiras, viagens e empresas ligadas ao advogado constituem os pontos centrais do procedimento.
Ao mesmo tempo, a defesa contesta a existência de compartilhamento de conta e afirma que não houve formalização de um novo inquérito contra o senador no STF.
O esclarecimento dependerá do exame dos dados bancários, dos registros de acesso aos sistemas financeiros e das demais informações obtidas legalmente pelos investigadores.
A seis dias do segundo turno presidencial, a divulgação do caso acrescenta uma nova controvérsia à campanha, mas não altera a exigência de que acusações criminais sejam demonstradas mediante provas e analisadas pelas autoridades competentes.


