Da Redação
Ministro do STF marca comparecimento por videoconferência entre dono do Master, ex-presidente do BRB e diretor do Banco Central para confrontar versões sobre supostas fraudes bilionárias; medida provocou reação da PGR e questionamentos jurídicos.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a acareação no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master seja conduzida por um juiz auxiliar de seu gabinete. O procedimento, que ocorrerá por videoconferência, colocará frente a frente o presidente da instituição financeira investigada, o ex-presidente do Banco de Brasília e um diretor do Banco Central, com o objetivo de confrontar versões conflitantes apresentadas ao longo da investigação.
A decisão de Toffoli foi tomada mesmo diante da manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República, que considerou a acareação prematura neste estágio das apurações. Para a PGR, ainda não haveria um conjunto suficientemente consolidado de depoimentos formais que justificasse o confronto direto entre os investigados. O ministro, no entanto, rejeitou o posicionamento do órgão acusador e sustentou que já existem contradições relevantes nos autos que exigem esclarecimento imediato.
O inquérito investiga operações financeiras que podem ter causado prejuízos bilionários ao sistema financeiro, no contexto da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília. As apurações envolvem suspeitas de fraudes, omissões e falhas de fiscalização, o que levou à liquidação da instituição e à prisão de seu controlador. O caso passou a tramitar no Supremo após redistribuição interna e permanece sob sigilo.
A acareação reunirá Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Ailton de Aquino, diretor de fiscalização do Banco Central. O objetivo do procedimento é confrontar diretamente as versões apresentadas pelos três sobre a condução das negociações, os critérios de avaliação do banco e o papel das autoridades reguladoras no acompanhamento das operações.
A condução da acareação por um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli, e não diretamente pelo relator ou por delegados responsáveis pela investigação, gerou críticas em setores do meio jurídico. Especialistas apontam que a acareação é um instrumento excepcional, tradicionalmente utilizado quando já há um quadro probatório robusto e divergências objetivas claramente estabelecidas, o que, segundo críticos, ainda não estaria plenamente configurado no caso.
Outro ponto sensível é a presença de um diretor do Banco Central no procedimento, o que amplia a dimensão institucional do inquérito. A participação da autoridade monetária coloca em debate o papel do órgão regulador na fiscalização do sistema financeiro e levanta questionamentos sobre possíveis falhas ou omissões no acompanhamento das operações do Banco Master.
Ao manter a acareação durante o recesso do Judiciário e contrariar a posição da Procuradoria-Geral da República, Toffoli sinaliza disposição de avançar rapidamente na instrução do processo. Para aliados do ministro, a medida busca dar celeridade a um caso de grande impacto econômico e institucional. Para críticos, a decisão tensiona a relação entre o Judiciário e os órgãos de investigação, além de suscitar dúvidas sobre a condução processual.
O desfecho da acareação pode influenciar diretamente os próximos passos do inquérito, incluindo a eventual ampliação das investigações, novas quebras de sigilo e a definição de responsabilidades individuais. O caso Banco Master tornou-se um dos episódios mais sensíveis do atual cenário jurídico-financeiro, por envolver grandes cifras, instituições centrais do sistema bancário e disputas sobre os limites da atuação judicial na fase investigativa.



