Aliados de Flávio Bolsonaro temem que publicitário ligado a Daniel Vorcaro se torne novo foco de crise na pré-campanha

Investigação da Polícia Federal sobre Thiago Miranda aumenta apreensão entre interlocutores do senador, embora ele não seja investigado neste procedimento

Da Redação

A investigação conduzida pela Polícia Federal contra o publicitário Thiago Miranda passou a provocar preocupação entre aliados do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo informações divulgadas pela jornalista Bela Megale e repercutidas pelo Brasil 247, interlocutores do parlamentar avaliam que Miranda pode se transformar em um novo fator de desgaste para a campanha presidencial caso decida colaborar com as investigações.

De acordo com a reportagem, pessoas próximas a Flávio Bolsonaro receberam relatos de que o publicitário teria sinalizado que não pretende assumir sozinho eventuais responsabilidades decorrentes das apurações. A avaliação entre integrantes do núcleo político do senador é que uma eventual colaboração de Miranda poderia ampliar a repercussão política do caso, embora Flávio não seja investigado nesse procedimento específico da Polícia Federal.

Relação com Daniel Vorcaro

A preocupação decorre da proximidade entre Thiago Miranda e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado em diferentes fases da Operação Compliance Zero.

Segundo a reportagem, Miranda intermediou as negociações que resultaram em um aporte de aproximadamente R$ 62 milhões de Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O publicitário também teria articulado uma reunião entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro no fim de 2024, encontro que acabou não sendo realizado.

Investigação da Polícia Federal

Thiago Miranda foi alvo de mandados de busca e apreensão na décima fase da Operação Compliance Zero.

Conforme a Polícia Federal, ele é apontado como um dos articuladores do chamado “Projeto DV”, iniciativa que, segundo os investigadores, teria contratado influenciadores digitais para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master e fazer críticas ao Banco Central após a intervenção na instituição financeira. As investigações apuram suspeitas relacionadas a contratos, movimentações financeiras e estratégias de comunicação ligadas ao caso.

Até o momento, não houve divulgação de denúncia criminal contra Miranda relacionada a esses fatos, e a investigação segue em andamento.

Flávio Bolsonaro não é investigado

Apesar da apreensão entre aliados, a reportagem ressalta que Flávio Bolsonaro não figura como investigado nesse procedimento da Polícia Federal.

O temor manifestado por integrantes da pré-campanha está relacionado ao eventual impacto político que novas revelações possam produzir durante o processo eleitoral de 2026, especialmente diante da proximidade atribuída entre alguns personagens envolvidos nas investigações e o entorno político do senador.

O episódio ocorre em um momento de crescente pressão sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que nas últimas semanas também enfrentou repercussões relacionadas a outras investigações envolvendo pessoas próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao Banco Master. Até o momento, não há indicação oficial de que o senador tenha praticado qualquer irregularidade no âmbito desta investigação específica.