Da Redação
Com 5,4% de desocupação no trimestre encerrado em outubro, o país alcança a menor taxa desde 2012; aumento da formalização e massa salarial recorde celebram recuperação, ainda que desafios de informalidade persistam.
O Brasil registrou um dos resultados mais positivos de sua história recente no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, atingindo o menor nível desde 2012. O dado confirma a tendência de recuperação econômica e reforça a percepção de que o emprego formal voltou a crescer de forma consistente no país.
Segundo o levantamento, o número de pessoas desempregadas recuou para 5,9 milhões, representando quedas significativas tanto na comparação trimestral quanto na comparação anual. Ao mesmo tempo, a população ocupada atingiu 102,5 milhões de trabalhadores — um dos maiores contingentes já registrados — enquanto o nível de ocupação subiu para 58,8%, consolidando melhora generalizada.
O dado que mais chama a atenção é o avanço expressivo do emprego formal. O setor privado registrou mais de 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior patamar já observado. Esse movimento explica grande parte da queda do desemprego e do aumento da massa salarial, que alcançou valor recorde. A renda média real também avançou, impulsionada por setores como indústria, construção civil, serviços e administração pública.
Outro fator relevante é a redução da subutilização da força de trabalho, que caiu para 13,9%, menor marca da série histórica. Dentro desse contingente, o número de trabalhadores subocupados, que gostariam de trabalhar mais horas do que conseguem, caiu para 4,5 milhões — o menor nível desde 2016. A queda do desalento, grupo que desistiu de procurar emprego, também indica melhora na confiança do trabalhador.
O retrato geral sugere um mercado de trabalho menos pressionado, com mais oportunidades formais e com uma economia que, apesar de desafios, consegue gerar ocupações em ritmo consistente. A construção civil, por exemplo, teve expansão notável, assim como áreas da administração pública, educação, saúde e segurança. Já setores de serviços domésticos e algumas atividades autônomas mostraram retração, revelando que a recuperação ainda é desigual.
Apesar dos avanços robustos, a informalidade permanece como um dos principais desafios estruturais do país. Atualmente, cerca de 38 milhões de trabalhadores estão na informalidade, representando 37% da população ocupada. Isso significa que, embora o desemprego tenha recuado, uma parcela expressiva dos trabalhadores segue exposta à instabilidade, baixa proteção social e ausência de direitos trabalhistas.
Especialistas destacam que a expansão da renda real e a melhora do poder de compra são elementos fundamentais para sustentar o crescimento do emprego. Com maior circulação de renda, aumenta o consumo das famílias, estimulando setores produtivos e criando novas vagas. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de políticas públicas de investimento e programas sociais contribuiu para impulsionar atividades ligadas ao setor público e à prestação de serviços.
Para o governo, o dado consolida a narrativa de que o país vive um processo consistente de recuperação econômica. A queda da desocupação, aliada ao aumento da renda e ao crescimento do trabalho formal, reforça o discurso de reconstrução social após anos de crise econômica, pandemia e instabilidade política. A melhora no mercado de trabalho ajuda a reduzir desigualdades e a aliviar pressões sobre programas de assistência.
Mesmo assim, analistas recomendam cautela. O avanço do emprego formal é promissor, mas ainda insuficiente para corrigir distorções históricas, como a informalidade elevada, a precarização do trabalho autônomo e as diferenças regionais na criação de vagas. Há também o desafio de ampliar a produtividade e qualificar trabalhadores para novas áreas — especialmente setores tecnológicos, industriais e de serviços especializados.
O marco de 5,4% representa um momento de virada para o mercado de trabalho brasileiro, mas não encerra a agenda de desafios. A conquista abre uma janela de oportunidade: transformar a recuperação conjuntural em um ciclo duradouro de desenvolvimento, com emprego digno, proteção social, melhores salários e expansão da formalização. Se bem aproveitado, o país pode consolidar um novo patamar estrutural de estabilidade e crescimento.


