Erika Hilton mobiliza apoiadores de Lula em Fortaleza e acusa big techs de interferir nas eleições

Deputada federal critica projeto da extrema direita, defende investigação sobre a atuação da Meta e alerta para os riscos da desinformação na reta final da disputa presidencial

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou, na segunda-feira (19), de um ato de campanha em apoio à reeleição do Presidente Lula, em Fortaleza, e fez críticas ao projeto político da extrema direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A mobilização reuniu lideranças políticas do Ceará na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.

Durante o evento realizado no bairro Parangaba, Erika afirmou que a extrema direita representa um risco para as condições de vida da população brasileira e associou a candidatura adversária à possibilidade de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. “O projeto da extrema direita para o Brasil é um projeto de miséria, de violência, de desigualdade”, declarou.

A parlamentar também criticou a perspectiva de retorno do bolsonarismo ao comando do governo federal e defendeu que os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado sejam responsabilizados. Em sua fala, reafirmou a posição contrária a qualquer medida de anistia para os envolvidos nos ataques às instituições democráticas.

Erika Hilton aponta interferência das plataformas digitais

Além das críticas políticas, Erika Hilton colocou a atuação das grandes empresas de tecnologia no centro do debate eleitoral. Em entrevista coletiva durante a passagem por Fortaleza, a deputada afirmou que a campanha de Lula trabalha para ampliar a circulação de suas propostas e alcançar eleitores para além dos públicos já mobilizados nas redes sociais.

Segundo a parlamentar, o funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais interfere na distribuição de conteúdo político. Ela citou a Meta, empresa responsável por redes como Instagram e Facebook, ao questionar a isonomia no tratamento dispensado aos candidatos.

“Nossa estratégia tem sido uma nacional. Como é que a gente consegue acumular os interesses da população brasileira, os temas que são mais relevantes e colocar essas pautas para fora? E como é que a gente também consegue driblar o algoritmo?”, afirmou.

Erika declarou que a distribuição de conteúdo pelas plataformas precisa ser investigada e defendeu a apuração de possíveis práticas que favoreçam determinados candidatos. A deputada protocolou um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis abusos da Meta durante as eleições de 2026.

“A gente precisa investigar a atuação dessas empresas estrangeiras nas eleições brasileiras. Não é possível que um candidato e outro tenham tratamentos desiguais nas plataformas”, disse.

A iniciativa coloca em discussão a responsabilidade das empresas que controlam os principais canais de comunicação digital, especialmente em um período no qual a circulação de informações pode influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos e propostas.

Imagens: Marcílo S.

Campanha aposta em temas de interesse cotidiano

Para Erika Hilton, enfrentar a influência dos algoritmos exige que a campanha identifique os assuntos que mobilizam cada região e estabeleça uma comunicação conectada às preocupações concretas da população. A deputada mencionou a segurança pública, os direitos das mulheres e a saúde como temas relevantes nacionalmente, mas ressaltou que cada estado tem suas próprias prioridades.

Ela também recomendou que apoiadores evitem ampliar involuntariamente o alcance de publicações dos adversários por meio de discussões nas redes sociais. Segundo a parlamentar, comentários e reações a conteúdos contrários podem fazer com que essas publicações sejam distribuídas a usuários que originalmente não teriam contato com elas.

A avaliação integra a estratégia de comunicação da campanha de Lula para os últimos dias antes da votação. Com a disputa concentrada no segundo turno, a mobilização digital e a presença nas ruas são tratadas como frentes complementares para conquistar votos e reduzir a distância entre os eleitores já convencidos e aqueles que ainda não definiram sua escolha.

Ato reúne lideranças políticas do Ceará

A manifestação na Parangaba foi encabeçada pelo deputado estadual eleito Léo Suricate (PSOL) e contou com a presença de lideranças da base governista cearense. Participaram do evento o governador Elmano de Freitas (PT) e o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).

Também estiveram presentes o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri (PSB), o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Leo Couto (PSB), a vice-governadora Jade Romero (PT), eleita deputada estadual, e Gabriella Aguiar (PSD), escolhida para assumir a vice-governadoria.

A participação de representantes de diferentes partidos da base aliada demonstra o esforço de articulação estadual em torno da candidatura de Lula. Na reta final da campanha, os atos públicos buscam ampliar a visibilidade da candidatura e consolidar a atuação conjunta de lideranças políticas e movimentos sociais.

Resultado do primeiro turno surpreendeu a campanha

Erika Hilton afirmou que o resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, provocou surpresa entre apoiadores de Lula. Segundo a deputada, havia a expectativa de que o presidente conseguisse vencer a eleição já na primeira votação.

“Eu acho que tinha um sentimento na sociedade que a gente ia levar já no primeiro turno. O próprio presidente Lula já disse isso, que achava que ia levar no primeiro turno”, afirmou.

A parlamentar comparou as trajetórias políticas de Lula e Flávio Bolsonaro e destacou programas sociais associados aos governos petistas, como o Sistema Único de Saúde (SUS), o Prouni, a Farmácia Popular e o Minha Casa, Minha Vida. Em sua avaliação, a campanha precisa agora intensificar a mobilização para converter o apoio político em votos no segundo turno.

“Ganhamos um choque quando as urnas se abriram e agora estamos fazendo todas as mobilizações necessárias para reverter. Estamos revertendo”, declarou.

A eleição presidencial chega à semana decisiva com a disputa entre dois projetos políticos distintos e com o debate sobre direitos sociais, condições de trabalho e funcionamento das plataformas digitais ocupando espaço nas manifestações de campanha. Para Erika Hilton, a mobilização eleitoral precisa combinar a defesa das políticas públicas com uma estratégia de comunicação capaz de alcançar eleitores em um ambiente digital marcado por disputas sobre o alcance e a circulação de informações.