Da Redação
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma ampla reestruturação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com objetivo de fortalecer o enfrentamento a crimes financeiros, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas, por meio de mais pessoal, unidades regionais e tecnologia aprimorada.
O governo federal anunciou planos para reformular profundamente o Coaf — órgão responsável pela inteligência financeira no Brasil — como parte de uma estratégia para ampliar a capacidade do país de combater crimes financeiros, lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e outras atividades ilícitas. A proposta de reestruturação foi encaminhada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao Ministério da Gestão, onde está em análise técnica antes de possível formalização por meio de decreto presidencial.
O plano prevê expansão do quadro de pessoal, criação de novos cargos comissionados e descentralização das operações, com a abertura de seis unidades regionais de inteligência financeira em cidades estratégicas, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Campo Grande, Foz do Iguaçu e Belém. Essas unidades deverão atuar de forma mais direta no combate a crimes transnacionais e monitoramento de movimentações suspeitas, facilitando a cooperação com autoridades estaduais e federais em diferentes regiões do país.
Atualmente vinculado administrativamente ao Banco Central, o Coaf é a principal unidade de inteligência financeira do Brasil, responsável por receber e analisar informações sobre movimentações financeiras atípicas que possam indicar lavagem de dinheiro, evasão de divisas ou financiamento ilícito. Sua atuação tem sido parte essencial do combate a fraudes e organizações criminosas vinculadas a grandes esquemas de corrupção, lavagem de recursos e atividades ilícitas.
A proposta do governo também prevê o aumento do número de cargos comissionados no órgão, passando de 75 para 141, com foco na ampliação de equipes especializadas e na formação de capacidades técnicas estáveis. Parte desses cargos será destinada à reestruturação da sede, e outra parte ao funcionamento das subunidades regionais.
O movimento ocorre em um contexto em que o Brasil tem buscado reforçar sua atuação em ações de inteligência financeira, em meio a um ambiente em que transações financeiras complexas — incluindo criptoativos, movimentações transfronteiriças e setores com risco elevado de lavagem de dinheiro — têm aumentado em volume e sofisticação. Autoridades do BC e especialistas consultados consideram que um Coaf mais robusto e tecnologicamente preparado pode ajudar o país a identificar mais rapidamente padrões suspeitos e agir com maior precisão contra esquemas ilícitos.
Outro ponto importante da proposta é a modernização tecnológica dos sistemas de análise e produção de inteligência financeira, com previsão de uso de ferramentas avançadas de análise de dados que possam integrar melhor as informações recebidas e gerar alertas mais efetivos para áreas de investigação. Essa modernização seria parte de uma política nacional integrada de combate à lavagem de dinheiro e ameaça de crimes econômicos.
A iniciativa também acompanha uma série de ações do governo e de órgãos de fiscalização para intensificar a cooperação internacional contra crimes financeiros, em especial em áreas como avaliação de bens suspeitos, monitoramento de fluxos globais de capitais e parcerias com autoridades estrangeiras em casos de investigação conjunta.
Apesar de ser ano eleitoral, a lei permite a criação de cargos comissionados e a implementação de mudanças administrativas no Coaf, desde que observadas as regras de responsabilidade fiscal. A expectativa oficial é que a reforma aumente a eficácia das investigações e contribua para uma resposta mais ágil a riscos financeiros emergentes em todo o país.


