Atitude Popular

Inflação desacelera em outubro a 0,09 % — melhor resultado em 27 anos

Da Redação

O índice oficial de inflação, medido pelo IBGE, registrou apenas 0,09% em outubro, o menor resultado para o mês desde 1998, segundo levantamento. A taxa acumulada em 12 meses caiu para 4,68%. Apesar disso, o cenário econômico exige cautela: juros ainda elevados, crescimento fraco e desigualdades persistentes.

Um marco histórico para a economia brasileira

A inflação de outubro registrou alta de apenas 0,09%, o menor valor para o mês desde 1998. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,68%, abaixo do registrado em setembro. Trata-se de uma vitória histórica no combate à inflação, alcançada em meio a um cenário global de instabilidade e pressões externas.

O resultado surpreendeu até os analistas mais otimistas. Num momento em que grandes economias ainda enfrentam inflação persistente, o Brasil aparece como exemplo de equilíbrio entre responsabilidade fiscal e sensibilidade social.


Os fatores que contribuíram para o resultado

O desempenho foi impulsionado por diversos fatores combinados:

  • Redução nas tarifas de energia elétrica e serviços públicos, o que impactou diretamente o índice geral.
  • Estabilidade no preço dos alimentos e controle no setor de combustíveis.
  • Valorização do real frente ao dólar, que ajudou a conter custos de importação.
  • Gestão eficiente de estoques e logística em setores-chave, como alimentos e transporte.

Além disso, as políticas de incentivo ao consumo popular e o fortalecimento de programas sociais ajudaram a equilibrar o mercado interno, mantendo o poder de compra sem gerar pressão inflacionária.


O contraste com a política de juros altos

Apesar da conquista, a taxa básica de juros — ainda uma das mais altas do mundo — continua sendo um obstáculo ao crescimento.
Mesmo com a inflação sob controle, o Banco Central mantém a Selic em patamar elevado, freando investimentos e dificultando o crédito produtivo.

Economistas progressistas alertam que essa postura beneficia o rentismo e penaliza o setor produtivo, especialmente pequenas e médias empresas.
O governo, por sua vez, tem insistido na necessidade de equilíbrio: manter a inflação sob controle, mas com políticas que gerem emprego, renda e crescimento real.


Inflação baixa, mas desafios estruturais persistem

A queda da inflação representa um alívio para as famílias, especialmente as de menor renda, que são as mais afetadas pela alta de preços.
Entretanto, o país ainda enfrenta gargalos estruturais que exigem políticas de longo prazo:

  • Desigualdade social e regional profunda.
  • Falta de infraestrutura logística que encarece o transporte e a produção.
  • Concentração bancária que mantém o crédito caro e restrito.
  • Dependência excessiva de commodities e vulnerabilidade às oscilações internacionais.

O controle da inflação é um passo, mas o desafio do Brasil é transformar esse cenário em crescimento sustentado e inclusivo.


A importância política e simbólica da conquista

Para o governo Lula, o resultado é emblemático. Ele mostra que é possível equilibrar responsabilidade fiscal e compromisso social, contrariando a narrativa de setores conservadores que apostavam no descontrole econômico.
A inflação sob controle reforça a confiança internacional no Brasil e mostra que o país voltou a ser um exemplo de estabilidade e maturidade macroeconômica.

Mesmo com um Congresso hostil e um Banco Central resistente, a equipe econômica conseguiu manter os preços estáveis e garantir poder de compra à população — uma vitória política e técnica que reforça a credibilidade do governo.


Conclusão

A desaceleração da inflação é um marco que confirma a solidez da atual política econômica.
Depois de anos de instabilidade, o Brasil volta a apresentar uma inflação controlada, com crescimento moderado e sem abrir mão das políticas sociais.
O desafio agora é avançar sobre os juros abusivos, estimular o investimento público e privado e garantir que o controle de preços se traduza em melhoria real de vida para a maioria da população.

A estabilidade econômica não é um fim em si mesma: é o alicerce para o desenvolvimento soberano, sustentável e socialmente justo que o país precisa consolidar.