No programa Café com Democracia exibido em 18 de novembro na Rádio e TV Atitude Popular, o apresentador Luiz Regadas recebeu o ex-deputado federal José Genoino para discutir as perspectivas da esquerda após a última pesquisa presidencial, que mostra Lula com 42% e Jair Bolsonaro com 39%. A entrevista foi ao ar pelo canal da plataforma e está disponível no YouTube. Logo no início, Genoino sintetizou sua visão estratégica: “A memória ilumina o futuro e ajuda o presente”, frase que dá título a esta matéria.
Ao longo da conversa, o ex-deputado — histórico dirigente da esquerda brasileira, ex-guerrilheiro do Araguaia e referência na defesa da democracia — fez uma análise detalhada do cenário político, das raízes históricas do autoritarismo brasileiro, da atuação do imperialismo norte-americano no continente e dos desafios imediatos da esquerda rumo a 2026.
As alianças da esquerda e os limites da governabilidade
Logo após a introdução de Luiz Regadas, que contextualizou a discussão com referências à ditadura civil-militar, aos 40 anos da eleição de Maria Luiza Fontenele e ao avanço mundial da extrema direita, o apresentador perguntou como Genoino avaliava o fato de Lula manter apenas três pontos de diferença em relação a Bolsonaro.
Genoino respondeu destacando a força da direita global, mas também a resiliência da esquerda brasileira.
“Mesmo diante dessa hegemonia da direita neoliberal no mundo e no Brasil, nós temos condições de ganhar a eleição em 2026 e exercer um quarto mandato do presidente Lula.”
Para ele, a esquerda não pode se acomodar com brechas institucionais e precisa atuar simultaneamente “por dentro e por fora” das instituições, com projeto de transformação e mobilização social. Segundo o ex-deputado, a governabilidade não pode se limitar ao centrão.
“Quando era só diálogo, o centrão passava a perna”, disse Genoino ao comentar a ofensiva contra o orçamento de 2023. Ele afirma que alianças amplas foram necessárias em 2022, mas defende um novo rumo: alianças menos extensas e mais estratégicas, centradas em um programa democrático e popular.
Segurança pública: tema decisivo para 2026
Genoino afirmou que a extrema direita utiliza a pauta da segurança como ferramenta de pânico moral e justificativa para políticas de massacre, respaldadas por setores do imperialismo norte-americano.
“Segurança pública não é guerra. Segurança exige inteligência, prevenção e sufocar o financiamento do crime organizado.”
O ex-deputado defende a criação de um Ministério da Segurança Pública e Proteção Social e propõe políticas integradas: saúde, educação, cultura, renda básica e atuação territorial — um contraponto direto ao modelo policialesco que ganha apoio entre as populações mais pobres.
Imperialismo e América Latina: o alerta venezuelano
Ao comentar o avanço militar e diplomático dos EUA sobre a América Latina, Genoino enfatizou que a região vive nova tentativa de reaproximação forçada.
“O imperialismo americano quer transformar esse continente potencialmente rico em quintal. A aventura militarista dos EUA na Venezuela é produto da crise do imperialismo.”
Para ele, a integração latino-americana — via Celac e a retomada da Unasul — é indispensável para garantir soberania diante do tarifaço de Trump, das tensões geopolíticas e da disputa entre EUA, China e Rússia.
Juventude e disputa pelas redes
Provocado por Regadas sobre o comportamento da geração Z, Genoino rejeitou culpar a juventude e disse que a esquerda precisa disputar sua imaginação política.
“Ou a esquerda disputa, enfrenta e vai pras ruas, ou será derrotada. Não podemos ficar só nos palácios, nos tapetes.”
Ele aponta que as redes sociais intensificam individualismo e ilusões meritocráticas, abrindo espaço para manipulação da extrema direita. A solução, afirma, é combinar memória histórica com mobilização territorial.
O papel da esquerda diante da desigualdade
A entrevista também abordou o impacto da desigualdade e da violência sobre a opinião pública, especialmente quando parte das populações periféricas apoia operações policiais brutais.
Genoino foi direto:
“A população é vítima do desespero diante do crime organizado e, quando entra a polícia, é vítima da violência policial. Nós temos que apresentar outra proposta de segurança.”
Ele lembrou que a juventude pobre é a mais atingida pela ausência de políticas sociais e ressaltou a necessidade de disputar “corações e mentes” com esperança, futuro e educação crítica.
Caminho para 2026: unidade, mobilização e projeto
Encerrando a entrevista, Genoino sintetizou os três pilares que considera decisivos para a disputa presidencial:
- Uma plataforma democrática, popular e antissistema, que enfrente neoliberalismo e imperialismo.
- Unidade da esquerda, sem picuinhas internas e com foco estratégico.
- Mobilização popular permanente, saindo das instituições e voltar às ruas — condição que, segundo ele, sempre alterou a correlação de forças no Brasil.
“Nosso caminho é a rua. A esquerda tem que dialogar com o povo, estar nos bairros, nos territórios, nos movimentos sociais.”
Ao final, Regadas agradeceu a participação do ex-deputado e reforçou o compromisso da comunicação popular com a memória e a luta pelos direitos democráticos.
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