Justiça mantém condenação de cearense que tentou detonar bomba no aeroporto de Brasília

Tribunal rejeita recurso e confirma pena de George Washington de Oliveira Sousa por tentativa de explosão às vésperas da posse de Lula

Da Redação

A Justiça do Distrito Federal manteve a condenação de George Washington de Oliveira Sousa, empresário cearense condenado por tentar explodir uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, em dezembro de 2022. A decisão foi tomada pela 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que rejeitou o recurso apresentado pela defesa.

O caso ganhou repercussão nacional por ocorrer poucos dias antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo as investigações, o objetivo da ação era provocar pânico social e criar um ambiente de instabilidade que favorecesse uma intervenção das Forças Armadas para impedir a posse do presidente eleito.

Pena é mantida

No recurso, a defesa pediu a absolvição do réu ou a redução da pena, alegando insuficiência de provas e questionando a dosimínio da condenação.

Os desembargadores, entretanto, entenderam que o conjunto de provas produzido durante a investigação e confirmado no processo é suficiente para manter a condenação. Com isso, permanece válida a sentença aplicada em primeira instância.

George Washington foi condenado pelos crimes relacionados à tentativa de explosão e ao porte ilegal de armas e explosivos.

Arsenal foi encontrado pela Polícia

Durante as investigações, a Polícia Civil do Distrito Federal encontrou um arsenal em um apartamento utilizado pelo empresário. Foram apreendidos fuzis, pistolas, espingardas, grande quantidade de munições e explosivos.

As investigações apontaram que o artefato explosivo foi colocado em um caminhão-tanque nas imediações do aeroporto de Brasília. A bomba não chegou a explodir porque foi localizada e desativada antes da detonação.

Em depoimento, George Washington admitiu ter participado da ação e declarou que pretendia provocar comoção social para estimular uma reação contra o resultado das eleições presidenciais de 2022.

Acampamento em frente ao Quartel-General

O empresário estava entre os apoiadores de Jair Bolsonaro que permaneciam acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após a derrota do então presidente nas eleições.

A investigação concluiu que a tentativa de atentado fazia parte do ambiente de radicalização que se formou nos acampamentos bolsonaristas no período pós-eleitoral, marcado por discursos que defendiam uma ruptura institucional e contestavam o resultado das urnas.

A manutenção da condenação reforça o entendimento da Justiça de que a tentativa de explosão representou um grave atentado à segurança pública e à ordem democrática, mantendo inalterada a responsabilização criminal do empresário cearense.