Da Redação
Durante visita a Minas Gerais, Lula destacou a importância da megaoperação contra o PCC, classificou-a como a maior resposta do Estado ao crime organizado e prometeu revelar os nomes envolvidos “no andar de cima”, advertindo o ex-presidente Bolsonaro.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte nesta sexta-feira (29 de agosto de 2025), o presidente Lula declarou que o governo federal inicia uma nova fase no combate ao crime organizado. “Descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado, e fizemos a operação mais importante da história dos 525 anos do Brasil. Agora queremos saber quem é que efetivamente faz parte do crime organizado”, afirmou o presidente.
As ofensivas chamadas Quasar, Tank e Carbono Oculto, deflagradas na quinta-feira anterior, envolveram diversas instituições — como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Justiça e da Fazenda, além do Ministério Público estadual — e resultaram em mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 prisões, centenas de buscas e apreensões em oito estados e o bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens. O foco: desarticular esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis, gestão fraudulenta e evasão fiscal, com movimentações calculadas em cerca de R$ 140 bilhões.
Lula atribuiu o sucesso da operação à articulação do recém-criado Núcleo de Combate ao Crime Organizado, liderado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. “Nós trabalhamos em conjunto com o Ministério Público de São Paulo dentro da operação e tem que ser assim, para a gente fazer valer a força da polícia e da justiça. A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país”, disse.
Ele ressaltou a sofisticação do crime organizado como uma rede que ultrapassa fronteiras e setores: “Ele está na política, no futebol, na justiça. É um braço internacional poderoso, com relações no mundo inteiro. É uma multinacional. Mas vamos chegar lá, com investimento e inteligência.”
O presidente também defendeu a tramitação da PEC da Segurança Pública no Congresso, destacando que a operação de quinta-feira deve acelerar sua aprovação. A proposta visa fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), garantir recursos estáveis e ampliar a atuação das polícias em todos os níveis federativos. Entre as mudanças previstas estão a inclusão das Guardas Municipais como órgãos de segurança, atualização das atribuições da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da criação de um Conselho Nacional de Segurança Pública com participação da sociedade civil.
Além disso, Lula anunciou que deve estar em Manaus em breve para inaugurar um Centro de Combate ao Narcotráfico, destinado a fomentar a integração entre forças de segurança na região amazônica — uma resposta coordenada ao tráfico internacional de drogas e contrabando. “Ou fazemos isso, ou a gente não vai acabar com o crime organizado, com o tráfico de árvores e de droga. O governo começou a agir fortemente e não tem mais volta”, concluiu.
Em tom de alerta, Lula deixou uma provocação: “A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país, e o ex-presidente que tome cuidado.” A fala ecoou como um recado claro àqueles que detém poder e podem estar comprometidos.


