Da Redação
Dados oficiais revelam expansão tímida de 0,1% no Produto Interno Bruto — resultado considerado de “estabilidade” — com agropecuária e indústria por trás do desempenho, enquanto serviços e consumo das famílias desaceleram.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior. O número, classificado oficialmente como “estabilidade”, confirma que a economia brasileira segue em ritmo fraco, pressionada pela desaceleração do setor de serviços e pelo baixo dinamismo do consumo das famílias.
Na comparação com o mesmo período de 2024, houve expansão de 1,8%. No acumulado de quatro trimestres, o crescimento é de cerca de 2,7%, desempenho considerado moderado pelos analistas.
A leve alta do trimestre foi sustentada principalmente pela agropecuária, que cresceu 0,4%, e pela indústria, que avançou 0,8%. Já o setor de serviços — responsável por mais de 70% da economia — praticamente não cresceu, registrando variação de apenas 0,1%.
Algumas atividades dentro dos serviços tiveram desempenho acima da média, como transportes, informação e comunicação, e atividades imobiliárias. Porém, o conjunto do setor não conseguiu impulsionar o PIB de forma mais significativa.
Do lado da demanda, o consumo das famílias subiu apenas 0,1%, refletindo juros ainda elevados, endividamento e perda de fôlego da renda disponível. O consumo do governo cresceu 1,3%, enquanto os investimentos — medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo — tiveram alta de 0,9%. No setor externo, exportações avançaram mais de 3%, enquanto importações recuaram levemente.
Economistas consideram que o dado reforça um quadro de desaceleração mais estrutural do que conjuntural. Após um início de ano relativamente mais forte, a atividade perdeu tração por causa da combinação de juros altos, incertezas externas, baixo crescimento global e fragilidades internas no mercado de trabalho.
A projeção para o crescimento do PIB em 2025 tem sido revisada para baixo por instituições públicas e privadas. Parte dos analistas já aponta que a economia deve encerrar o ano abaixo do patamar originalmente esperado — especialmente se o setor de serviços continuar patinando.
Para os próximos meses, o desempenho vai depender de três fatores principais: melhora do crédito, recuperação do consumo e aumento do investimento produtivo, especialmente em infraestrutura, indústria e tecnologia. Economistas afirmam que o país só deve ganhar tração novamente com redução consistente dos juros, estímulos ao investimento e políticas anticíclicas bem coordenadas.
O resultado de 0,1% é visto como um sinal de alerta, mas não de recessão. A economia não parou — apenas anda devagar, muito devagar.












