Da Redação
Pesquisa divulgada neste 7 de Setembro registra igualdade numérica entre os dois candidatos, enquanto Lula aparece com 36% e Flávio com 29% no primeiro turno. Levantamento ouviu 2.004 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado retrata o momento da coleta e não constitui previsão do resultado das urnas.
A nova rodada da Quaest divulgada na noite deste 7 de Setembro registra empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026. Os dois aparecem com 41% das intenções de voto. Outros 13% dos entrevistados afirmam que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, enquanto 5% permanecem indecisos. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo, ouviu 2.004 eleitores presencialmente e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026.
O levantamento foi realizado entre 3 e 6 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Isso significa que a informação central não é apenas a existência de um “empate técnico”: nesta rodada há igualdade também no número central da pesquisa, 41% a 41%.
A comparação com a rodada imediatamente anterior ajuda a dimensionar a mudança, mas exige cautela. Na pesquisa divulgada em 2 de setembro, Lula aparecia com 42% e Flávio Bolsonaro com 41% no mesmo cenário. Agora, Lula registra 41% e Flávio permanece com 41%. A variação entre essas duas rodadas está dentro da margem de erro e, isoladamente, não permite afirmar que tenha ocorrido uma mudança estatisticamente significativa no eleitorado entre uma coleta e outra.
O movimento de prazo mais longo registrado pela série, contudo, mostra redução da distância numérica observada anteriormente. Em meados de julho, a Quaest havia registrado 45% para Lula e 37% para Flávio numa simulação de segundo turno, diferença de oito pontos percentuais. Em 2 de setembro, o resultado passou para 42% a 41%; agora está em 41% a 41%. A própria Quaest ressalta, ao explicar sua metodologia para 2026, que pesquisas representam a opinião dos entrevistados no momento da coleta e não devem ser interpretadas como previsões do futuro.
No primeiro turno, a fotografia é diferente. Lula aparece com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 29%. Augusto Cury, do Avante, tem 8%. Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem com percentuais de até 3%, enquanto Samara Martins registra 1%. Há ainda 10% de indecisos e 8% que declaram voto branco ou nulo.
Os números de primeiro e segundo turno não são contraditórios. Uma simulação de segundo turno retira os demais candidatos da pergunta e obriga o eleitor a escolher entre duas alternativas, além das opções de não votar, votar branco ou nulo e permanecer indeciso. Por isso, parte dos eleitores que no primeiro turno escolhe outras candidaturas se redistribui quando confrontada com apenas dois nomes.
A pesquisa também simulou outros confrontos de segundo turno. Lula registra 41% diante de Ronaldo Caiado, que aparece com 38%; 39% diante de Augusto Cury, com 35%; 42% diante de Renan Santos, com 37%; e 44% diante de Romeu Zema, com 33%. Como todos os levantamentos eleitorais, cada cenário deve ser interpretado levando em consideração sua margem de erro e a proporção de entrevistados que não escolhe nenhum dos nomes apresentados.
Um elemento importante dessa rodada é justamente o tamanho desse contingente. Na simulação Lula–Flávio, 18% não escolhem nenhum dos dois: 13% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam e 5% estão indecisos. É um grupo numericamente relevante, mas a pesquisa não permite presumir para qual candidato esses eleitores eventualmente migrariam até a votação.
Também seria inadequado atribuir a igualdade registrada agora a um único acontecimento político. A coleta foi realizada entre 3 e 6 de setembro, período marcado por forte repercussão das controvérsias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, o Banco Master e investigações relacionadas a diferentes personagens políticos. O levantamento captura opiniões durante esse ambiente, mas uma pesquisa de intenção de voto não demonstra, por si só, que determinado episódio tenha causado uma oscilação específica. Uma análise causal exigiria perguntas próprias sobre conhecimento dos acontecimentos, avaliação deles e eventual mudança de voto.
Esse cuidado é especialmente necessário diante da crise atualmente envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. A pesquisa anterior da Quaest havia sido divulgada em 2 de setembro; a nova rodada foi coletada depois de novos episódios da controvérsia. Ainda assim, o fato de dois acontecimentos ocorrerem na mesma janela temporal não estabelece uma relação de causa e efeito. O próprio levantamento não permite concluir que a crise do STF explique o 41% a 41%.
A mesma cautela vale para investigações e acusações envolvendo familiares dos candidatos. A campanha presidencial ocorre simultaneamente a diferentes controvérsias públicas, e seus efeitos eleitorais não podem ser deduzidos apenas da sequência cronológica das pesquisas.
A metodologia adotada pela Quaest em 2026 também merece atenção. O instituto afirma ter introduzido ajustes para acompanhar segmentos politicamente relevantes do eleitorado e identificar grupos mais propensos a alterar suas escolhas durante a reta final. Ao explicar essas mudanças, a própria empresa estabelece um limite importante para a interpretação dos resultados: a pesquisa procura explicar o momento em que a entrevista foi realizada, não antecipar o resultado futuro da eleição.
Essa ressalva ganha importância porque faltam poucas semanas para o primeiro turno. Pesquisa eleitoral é uma fotografia estatística produzida a partir de uma amostra e sujeita a margem de erro. Campanhas, debates, acontecimentos econômicos e políticos, decisões individuais e mudanças entre eleitores ainda indecisos podem alterar os números até o dia da votação.
O levantamento divulgado neste domingo permite, portanto, uma conclusão factual mais restrita: entre os 2.004 eleitores entrevistados pela Quaest entre 3 e 6 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro receberam exatamente 41% cada um quando apresentados como as duas alternativas de um eventual segundo turno presidencial.
No primeiro turno da mesma pesquisa, Lula registra 36% e Flávio 29%, enquanto as demais candidaturas e os eleitores ainda sem escolha completam um quadro mais fragmentado.
É uma fotografia relevante da eleição de 2026, mas continua sendo exatamente isso: uma fotografia do eleitorado durante os dias em que a pesquisa foi realizada, e não o resultado antecipado das urnas.



