Ministro Luiz Marinho defende cooperativas e redes produtivas como alternativa estrutural diante dos impactos do tarifaço
Em entrevista concedida no dia 27 de agosto de 2025 ao programa Boa Noite 247, da TV Brasil 247, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, respondeu a uma pergunta do jornalista Mario Vitor Santos sobre o papel da economia solidária frente aos efeitos do tarifaço e seus impactos no mercado de trabalho brasileiro, especialmente no Nordeste.
Marinho afirmou que a economia solidária não é apenas uma resposta emergencial a crises conjunturais, mas a construção de um modelo alternativo de produção e distribuição. “A economia solidária, nós planejamos como alternativa de produção. Não é propriamente uma resposta a uma situação como o tarifaço, mas a estruturação de um modelo em que, a partir das cooperativas, você cria outro caminho para a organização da economia”, explicou.
O ministro relembrou a experiência dos anos 1990 com a criação da Unisol, entidade voltada para o fortalecimento de cooperativas. Segundo ele, o desafio sempre foi ampliar a lógica do pequeno artesanato e transformá-la em base de empresas produtivas. Como exemplo, citou o caso da Conforja, maior forjaria da América Latina, que entrou em falência em Diadema (SP). Na época, os trabalhadores foram organizados em cooperativa e assumiram a gestão da produção. “Quando os trabalhadores se tornam proprietários dos meios de produção, podem planejar o processo e alcançar uma retirada superior ao salário que tinham com o antigo patrão”, afirmou.
Marinho destacou ainda experiências que articulam cadeias produtivas completas, como a Justa Trama, que integra desde o plantio do algodão até a confecção e venda das peças, e iniciativas de assentamentos do MST e da agricultura familiar que eliminam atravessadores por meio de cooperativas de logística. Ele lembrou do apoio dado aos produtores de banana do Vale do Ribeira durante sua gestão como prefeito de São Bernardo do Campo, quando foi criada uma cadeia produtiva que hoje mantém um galpão de distribuição em Santo André.
Para o ministro, a economia solidária é também uma resposta política e ideológica à lógica capitalista. “Se alguém quer questionar o capitalismo, deve estudar economia solidária. É fundamental estimular esse debate nas escolas e universidades, porque é por esse caminho que podemos discutir outro modelo econômico”, defendeu.
Marinho concluiu a entrevista ressaltando os resultados do governo Lula na geração de empregos. Segundo ele, o saldo acumulado nos dois anos e sete meses de gestão é de 4.482.280 postos de trabalho formais.




