Da Redação
Nesta quinta-feira, 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para condenar Jair Bolsonaro e sete réus por diversos crimes graves, incluindo organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O voto decisivo foi da ministra Cármen Lúcia.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a um ponto decisivo do julgamento da chamada trama golpista, com votos suficientes para condenar Jair Bolsonaro e seus principais aliados por todos os crimes imputados na denúncia da Procuradoria-Geral da República. O placar atual é de 3 a 1 a favor da condenação — ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela responsabilização completa dos réus.
Luiz Fux foi o único que divergiu até agora, absolvendo Bolsonaro e a maioria dos réus de todos os crimes; ele, entretanto, votou pela condenação parcial de Mauro Cid e Walter Braga Netto. O voto de Fux destaca a possibilidade de divergência nos regimes e nos focos de responsabilidade, mas não altera que a maioria já decidiu que há provas suficientes para condenar o núcleo central da trama.
Cármen Lúcia, em seu voto decisivo, afirmou que “há prova cabal” de que Bolsonaro liderou um grupo composto por integrantes do governo, das Forças Armadas e órgãos de inteligência com o objetivo progressivo e sistemático de atacar as instituições democráticas. Segundo ela, o plano visava impedir a alternância legítima de poder após as eleições de 2022, minar o Poder Judiciário e afetar a ordem constitucional.
Os réus respondem por crimes graves como:
- Organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado contra patrimônio público
- Deterioração de patrimônio tombado
A dosimetria das penas, isto é, a definição de quanto tempo cada réu pode pegar – levando em conta seu grau de envolvimento – ainda será debatida após todos os votos estarem dados. As estimativas preliminares apontam para penas que podem ultrapassar décadas em regime fechado, dependendo dos agravantes e das provas específicas.
4 – Análise crítica
- Marco histórico: É a primeira vez que ex-presidente é condenado por participação em trama para subverter eleições e destruir ordem democrática no Brasil. Isso sela uma linha de ruptura institucional: demonstra que nenhuma autoridade está acima da lei, se provas robustas existirem.
- Importância para a soberania: Esse julgamento evidencia que a democracia brasileira está em defesa, reafirmando que instituições – STF, PGR, Ministério Público, forças de segurança – podem funcionar mesmo com polarização intensa, pressões externas e internas.
- Pressão política e retórica irresponsável: Bolsonaro, seus aliados e apoiadores tentam negar, acusar perseguição e usar chantagem política (apelando à eleição de 2026, etc.). Mas esse tipo de narrativa é perigosa: tenta minar legitimidade do Judiciário, criar clima de instabilidade e desconstruir confiança nas instituições.
- Riscos para o futuro: Se o resultado final confirmar condenação, haverá apelos, recursos, pressão midiática; e a disputa política no Brasil até 2026 será marcada por essa decisão – haverá aliados dispostos a explorar desgastes, instigar confrontos, mobilizar insatisfação.
5 – Conclusão
Hoje, o STF dá um passo que ecoa não apenas no presente, mas para a posteridade. O voto majoritário é uma afirmação de que democracia não se negocia — que golpismo não ficará impune — que liderar ou intentar derrubar instituições é crime.
Bolsonaro e seus comparsas terão suas condutas escrutinadas. Que esse momento não se torne fichinha de “mais um julgamento político”, mas sim uma pedra fundacional de que a lei vale para todos — generais, ministros, influenciadores, ex-presidentes. Democracia exige consequências.












