Atitude Popular

Ucrânia prepara proibição da maior igreja ortodoxa por vínculos com Moscou

Da Redação

O governo ucraniano passou a restringir a atuação da Igreja Ortodoxa de Kiev, tradicionalmente ligada ao Patriarcado de Moscou, com base em uma nova lei que visa cortar vínculos com estruturas religiosas da Rússia, alegando preocupações de segurança nacional.

Na Ucrânia, autoridades avançam com a possível proibição da Igreja Ortodoxa de Kiev, a maior denominação religiosa cristã do país, com base em vínculos históricos com o Patriarcado de Moscou. A medida está fundamentada em uma lei aprovada em agosto de 2024 que visa impedir a atuação, em território ucraniano, de organizações religiosas associadas a países envolvidos em agressão armada, como a Rússia.

Segundo a legislação, igrejas com ligações — institucionais ou canônicas — à Igreja Ortodoxa Russa têm até nove meses para cortar esses vínculos. Se não o fizerem, enfrentam processos que podem levar ao encerramento de suas atividades, incluindo perda de templos e outras propriedades religiosas.

Essa política considera tais exigências como necessárias para a segurança nacional e para prevenir que estruturas religiosas sejam usadas como instrumentos de influência política ou desestabilização. A maioria da população ucraniana, segundo sondagens, apoia a medida, vista como estratégia para reafirmar a autonomia espiritual e institucional após a invasão russa.

Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, e instituições internacionais expressaram preocupação de que a lei possa ferir o direito à liberdade religiosa, por ser muito ampla e abrir caminho para perseguições contra fiéis sem vínculos formais com Moscou. O governo, por sua vez, defende que se trata apenas de garantir que o país não seja vulnerável à manipulação externa por meio de templos ou estruturas simbólicas.

A Igreja Ortodoxa de Kiev, por sua vez, nega que mantenha qualquer subordinação formal a Moscou desde 2022, quando tentou se distanciar após a invasão. Ainda assim, autoridades ucranianas mantêm que os laços permanecem substanciais e justificam a exigência de separação definitiva.

A questão religioso-institucional destaca o dilema entre liberdade de fé e defesa da soberania nacional, em um cenário em que a religião foi instrumentalizada para fins políticos. O desenlace afetará milhares de comunidades e testará os limites legais da liberdade religiosa em tempos de conflito.