Da Redação
O tratado nuclear New START, principal acordo de limitação de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, expirou em 5 de fevereiro de 2026, deixando as duas maiores potências atômicas do mundo sem restrições legais ao tamanho de seus arsenais estratégicos pela primeira vez em décadas.
O tratado de redução de armas nucleares conhecido como New START deixou de vigorar na virada de 4 para 5 de fevereiro de 2026, após quase 15 anos em vigor. Assinado em 2010 e originalmente renovado em 2021, o acordo limitava o número de ogivas nucleares estratégicas e sistemas de lançamento que Estados Unidos e Rússia podiam manter implantados, além de estabelecer mecanismos de inspeção e verificação mútua que ajudaram a dar transparência sobre os arsenais dessas potências.
Com a expiração, não há mais um limite legalmente vinculante para o número de armas nucleares estratégicas de Washington e Moscou, o que significa que ambos os países poderiam, em tese, expandir seus arsenais sem as restrições previstas pelo acordo. Especialistas em segurança destacam que esse cenário marca a primeira vez em mais de meio século que não existe nenhum tratado de controle nuclear em vigor entre as duas maiores potências atômicas do planeta.
O presidente russo, Vladimir Putin, havia proposto que o acordo fosse informalmente estendido por mais um ano após sua expiração, mas a proposta não foi formalizada pelas autoridades dos EUA, que passaram o último ano em discussões sobre um substituto mais amplo que pudesse envolver outras potências nucleares, como a China — proposta que Pequim rejeita por ainda possuir um arsenal relativamente menor.
Autoridades russas também disseram que a própria Rússia se consideraria livre das obrigações do tratado, após não receber resposta formal da Casa Branca sobre a prorrogação. Apesar disso, Moscou indicou que agirá com responsabilidade estratégica, e tanto russos quanto americanos afirmaram a necessidade de iniciar novas negociações sobre controle nuclear o quanto antes.
A reação internacional incluiu advertências de lideranças globais. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, classificou a expiração como “um momento grave para a paz e a segurança internacionais” e pediu que as duas potências retomem negociações para estabelecer um novo quadro de limites verificáveis sobre arsenais nucleares, destacando que a ausência dessas restrições pode aumentar o risco de proliferação e instabilidade global.
Especialistas em política de armas estratégicas afirmam que, sem um tratado como o New START, os mecanismos de inspeção, verificação e transparência que ajudaram a evitar ambiguidades durante a Guerra Fria e depois dela deixarão de existir, complicando a avaliação do arsenal e das intenções de cada país. Isso pode impactar não apenas EUA e Rússia, mas toda a arquitetura de não proliferação nuclear, incluindo revisões do Tratado de Não Proliferação Nuclear que estão em pauta neste ano.
A expiração do New START ocorre em um contexto geopolítico marcado por tensões prolongadas, incluindo a guerra na Ucrânia e mudanças nas relações estratégicas globais. Analistas apontam que, além de EUA e Rússia, outras potências nucleares como China, França e Reino Unido observam com atenção a evolução das negociações, visto que a ausência de um acordo bilateral pode estimular revisões ou expansões nos arsenais desses países, mesmo que em escalas menores.
O fim do tratado também abre espaço para debates sobre como redesenhar acordos de controle de armamentos que incluam múltiplos participantes, algo defendido por autoridades norte-americanas que buscam uma plataforma multilateral de limites nucleares, em vez de um pacto estritamente bilateral.


