Atitude Popular

Lula critica guerra de Trump e diz que Brasil será “investidor da paz”

Da redação

Em meio à escalada do conflito contra o Irã, Lula voltou a atacar a política externa de Donald Trump e afirmou que o Brasil quer investir na paz, não na guerra. A fala reforça o posicionamento do país na disputa geopolítica global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a endurecer o tom contra Donald Trump ao criticar a guerra conduzida pelos Estados Unidos contra o Irã e reafirmar que o Brasil seguirá um caminho oposto no cenário internacional. Em declarações recentes, Lula classificou a escalada militar como irresponsável e reiterou que o país pretende se posicionar como “investidor da paz”, em contraste direto com a lógica bélica adotada por Washington.

A crítica ocorre em um contexto de intensificação do conflito no Oriente Médio, iniciado em 2026 após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos iranianos, desencadeando uma resposta militar em larga escala e uma crise global com impactos econômicos e energéticos.

Lula tem sido uma das vozes mais firmes no campo internacional contra essa escalada. Em entrevistas e discursos recentes, o presidente brasileiro condenou explicitamente a postura de Trump, afirmando que líderes mundiais não podem governar a partir de ameaças ou do uso indiscriminado da força.

Além da crítica direta, o presidente brasileiro tem insistido em uma agenda alternativa. Ao afirmar que o Brasil será “investidor da paz”, Lula busca reposicionar o país como um ator diplomático ativo, capaz de mediar conflitos e defender soluções baseadas no diálogo, no multilateralismo e no respeito à soberania dos Estados.

Essa estratégia não é nova, mas ganha nova dimensão diante do atual cenário global. Em eventos internacionais recentes, Lula também criticou a atuação das grandes potências e do Conselho de Segurança da ONU, acusando seus membros permanentes de falharem na prevenção de guerras e na promoção da estabilidade global.

O discurso brasileiro se ancora em uma crítica mais ampla ao que o governo considera um modelo de política internacional baseado na coerção. Ao rejeitar essa lógica, Lula reforça a defesa de um mundo multipolar, no qual países do Sul Global tenham maior protagonismo e autonomia na definição de seus caminhos.

Ao mesmo tempo, a fala também tem implicações políticas internas e externas. No plano doméstico, reforça a narrativa de soberania e independência frente a potências estrangeiras. No plano internacional, posiciona o Brasil como contraponto às estratégias militares dos Estados Unidos, especialmente em regiões de conflito.

Esse posicionamento, no entanto, ocorre em meio a um cenário complexo. O Brasil mantém relações econômicas e diplomáticas importantes com os Estados Unidos, o que exige equilíbrio entre crítica política e manutenção de canais institucionais. Ainda assim, o governo Lula tem demonstrado disposição crescente para confrontar diretamente decisões consideradas desestabilizadoras.

A ideia de “investir na paz” também carrega um significado econômico e social. Para Lula, os recursos globais hoje destinados à guerra deveriam ser direcionados a áreas como combate à pobreza, educação, desenvolvimento tecnológico e transição energética. Esse argumento aparece de forma recorrente em suas falas e reflete uma visão de política internacional conectada ao desenvolvimento interno.

No fundo, o que está em jogo é uma disputa de modelos. De um lado, a política de poder baseada em força militar e pressão econômica. De outro, a tentativa de construir uma alternativa centrada na cooperação e no desenvolvimento.

Ao se posicionar como “investidor da paz”, o Brasil não apenas critica a guerra — ele tenta redefinir seu papel no mundo.