Professora da UFMG analisa crise da imprensa, disputa de narrativas e o papel da comunicação na democracia em participação no quadro “A Notícia que Você Não Vê”
A professora e jornalista Ângela Carrato, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirmou que o jornalismo brasileiro atravessa uma crise profunda de credibilidade e identidade. Segundo ela, se não houver mudanças estruturais na forma de produzir e interpretar a informação, a atividade corre o risco de perder sua função social. A análise foi feita durante participação no quadro “A Notícia que Você Não Vê”, exibido no programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular.
O debate foi transmitido pela Rádio e TV Atitude Popular e reuniu reflexões sobre mídia, política e democracia. O programa discutiu a disputa de narrativas no Brasil, os desafios enfrentados pela comunicação independente e a necessidade de compreender os interesses que orientam a cobertura de grandes temas nacionais.
Carrato, que também é doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), conselheira da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e ex-presidenta da Rede Minas, avaliou que o jornalismo atravessa uma fase crítica em que muitas redações passaram a reproduzir disputas políticas e interesses econômicos.
“Ou o jornalismo se reinventa ou perderá completamente a credibilidade.”
Para a professora, o problema não é recente, mas se agravou com a transformação das plataformas digitais em espaço central da disputa política e informacional. Segundo ela, parte da mídia tradicional continua atuando de forma alinhada a interesses conservadores, enquanto o jornalismo independente enfrenta limitações estruturais para produzir investigação própria.
“O jornalismo brasileiro está vivendo uma crise tremenda.”
Na avaliação da pesquisadora, o fenômeno não se restringe ao Brasil. Ela observa que o jornalismo ocidental passa por um processo de perda de identidade, muitas vezes substituindo investigação aprofundada por versões fragmentadas ou superficiais dos fatos.
Carrato afirma que, historicamente, grandes conglomerados de mídia brasileiros tiveram papel ativo em momentos decisivos da política nacional, citando episódios como o suicídio de Getúlio Vargas, o golpe militar de 1964 e o impeachment de Dilma Rousseff.
Segundo ela, essa tradição de alinhamento político ainda influencia o comportamento de parte da imprensa.
A disputa de narrativas e o caso Banco Master
Durante o programa, Carrato também analisou a cobertura do escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Para ela, a forma como a imprensa tratou o caso ilustra como determinados temas são reorganizados narrativamente para atingir determinados atores políticos.
“A mídia fragmenta os fatos e não faz os links necessários.”
Na avaliação da professora, mesmo com indícios envolvendo figuras associadas à extrema direita, parte da cobertura teria buscado construir conexões indiretas com o governo federal.
“O alvo não é o filho do presidente Lula. O alvo é o presidente Lula.”
Carrato também afirmou que esse tipo de estratégia remete a práticas observadas durante a Operação Lava Jato, quando vazamentos seletivos e narrativas incompletas contribuíram para produzir determinados efeitos políticos.
“A gente está assistindo ao retorno dos vazamentos seletivos.”
Segundo ela, a disputa política em torno das eleições de 2026 tende a intensificar esse tipo de estratégia.
“O Brasil está vivendo quase que um apocalipse político semanal.”
Para Carrato, episódios recentes mostram como determinados acontecimentos ganham enorme repercussão enquanto outros elementos relevantes permanecem fora do debate público.
A crise do jornalismo progressista
Outro ponto destacado na entrevista foi a situação da mídia independente e progressista. Carrato reconhece que esses veículos desempenham papel fundamental no pluralismo informativo, mas enfrentam limitações estruturais que dificultam a produção de reportagens investigativas.
“Grande parte do que aparece na mídia progressista vem da apuração do próprio PIG.”
Na visão da professora, a dependência das pautas produzidas pela grande imprensa cria um ciclo em que a agenda informativa continua sendo determinada pelos grandes conglomerados.
Além disso, ela alertou para o impacto das plataformas digitais nesse processo. Segundo Carrato, as grandes redes sociais são controladas por corporações que possuem interesses políticos e econômicos próprios.
“As plataformas são controladas por bilionários alinhados com projetos políticos.”
Esse cenário cria um ambiente de disputa desigual entre veículos independentes e grandes estruturas de comunicação.
Comunicação como direito democrático
Carrato também ressaltou a importância da comunicação como direito fundamental. Para ela, garantir pluralidade informativa e acesso à informação de qualidade é condição essencial para o funcionamento da democracia.
A professora defende o fortalecimento da mídia pública e de iniciativas independentes que ampliem a diversidade de vozes no debate público.
Segundo ela, experiências de comunicação popular e comunitária desempenham papel importante nesse processo, especialmente em regiões onde a mídia tradicional não contempla as demandas locais.
Ao final da entrevista, Carrato reforçou que o cenário atual exige atenção crítica da sociedade diante da circulação de informações.
Para ela, compreender não apenas o que é divulgado, mas também o que é omitido é fundamental para interpretar o funcionamento da política e da mídia contemporânea.
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