Da Redação
Após uma ação policial que deixou mais de cem mortos nos complexos do Alemão e da Penha, o governo de Cláudio Castro anuncia dez novas operações em comunidades do Rio. A decisão revela uma lógica de segurança baseada no uso da força, na militarização e no descaso com a vida das populações vulneráveis — espelhando um governo covarde, assassino e contaminado pela corrupção institucional.
Na esteira de uma operação policial de altíssima letalidade — que resultou em mais de 120 mortos nos complexos do Alemão e da Penha — o governo do Estado do Rio de Janeiro, sob a liderança de Cláudio Castro, anunciou a programação de dez novas operações policiais massivas. O anúncio público, feito em meio ao clamor por investigação e responsabilização, revela a profundidade do descompasso entre segurança pública e direitos humanos no estado.
Segundo o próprio governo, as operações já têm aval judicial e começam nas próximas semanas. O foco será a remoção de barricadas, o “reestabelecimento de ordem” em vielas e favelas sob domínio de grupos armados. As ações serão intensas: regiões da zona oeste da capital, Jacarepaguá, Baixada Fluminense e comunidades historicamente vulneráveis estão no alvo. A lógica é clara: mais armas, mais incursões, mais impacto para os moradores.
Para muitos observadores, no entanto, o anúncio traduz mais do que segurança — expressa uma política de intimidação e controle social. O fato de o governo festejar o aumento da letalidade como “efeito desejado” de suas operações (já que a investigação ainda corre) mostra um padrão que muitos chamam de genocídio periférico: a normalização da morte em territórios pobres, a desresponsabilização estatal e a criminalização das vítimas.
Covardia institucional
O governo que anuncia armas e operações massivas é o mesmo que falha em promover transparência, investigação e responsabilização. A apuração sobre as mortes anteriores segue morosa, sem que o Estado tenha apresentado cronograma claro de justiça. Isso demonstra covardia institucional: enquanto o poder insiste no uso da força, evita o ônus da apuração e da reparação.
Além disso, a escolha de atacar favelas densamente povoadas revela um padrão de seletividade – o que não é segurança pública, mas guerra urbana contra os pobres. Em vez de focar em inteligência, prevenção, direitos sociais ou governança participativa, a prioridade é o choque, a bala, a operação militarizada — padrão que frustra qualquer construção de paz.
Assassinato como política de Estado
Quando mais de cem pessoas morrem em uma operação policial e, em seguida, mais dez operações são anunciadas como resposta, o que vemos não é crise — é política deliberada. O discurso oficial afirma que “o Estado vai retomar o controle”, mas não responde ao profundo abismo da desigualdade ou ao papel histórico do Estado na segregação. A letalidade excessiva, os corpos deixados nas vielas, a ausência de investigação são parte da política — e o governo abraça isso com pompa.
A lógica é: controle por meio da força, e popularidade por meio do espetáculo. Pesquisas internas indicam que o governador ganhou apoio popular precisamente após a operação letal — o que gera uma leitura ainda mais grave: o incentivo à violência como ferramenta de imagem política.
Corrupção e ação autoritária combinadas
Não se trata apenas de militarização, mas de governo corrupto no sentido estrutural. Quando o Estado financia grandes operações, desvia recursos, permite que corporações de segurança privada ganhem contratos, e não investiga as mortes — ele está pulverizando recursos públicos em violência. A corrupção se mistura com a “segurança-show”: gastos elevados, equipamentos pesados, operações midiáticas que favorecem privados e desmobilizam a sociedade civil.
Os bairros afetados são os mais pobres, as vítimas quase sempre têm pouco acesso à cidadania plena, e o Estado aparece como invasor. A desigualdade estrutural, décadas de descaso municipal e estadual e a captura política dos territórios populares transformam a cena em tragédia anunciada.
O desafio da resistência popular
Para os movimentos sociais, favelas, comunidades tradicionais e organizações de direitos humanos, a agenda imposta pelo governo de Cláudio Castro representa violência institucionalizada. A resistência não pode se limitar a protestos — exige organização popular, vigilância independente, monitoramento internacional e construção de alternativas que rompam com o modelo de “segurança por atiradores”.
Indicar que “vamos entrar e restabelecer ordem” não resolve o trauma das famílias, não devolve vidas, não repara os desaparecidos nem fortalece o Estado de direito. O desafio agora é transformar a fúria em ação política, exigir que cada operação tenha investigação independente, que os corpos sejam contabilizados e que não mais se trate comunidades como campo de batalha.
Conclusão
O anúncio de dez novas operações policiais no Rio de Janeiro, no contexto já sangrento que se estabelece, evidencia a face brutal de um governo que opta pelo extermino em vez da cidadania, pelo medo em vez do diálogo, pela bala em vez da justiça social. O governador Cláudio Castro, longe de ser mero executor de políticas de segurança, assume papel central no padrão de violência sistemática — e o Estado, sob seu comando, transfere a morte para os negros, pobres e favelados enquanto se apresenta como salvador.
É hora de dizer que não será mais tolerado: um governo que promove a morte e se recusa a reparar a vida não merece o nome de segurança pública — merece ser chamado de governo covarde, assassino e corrupto.











