Da Redação
Depois de bate-boca público sobre a indicação de Jorge Messias ao STF, governo busca reconciliação com o Senado — mas manobra revela instabilidade de base e pressa eleitoral.
Parece piada — mas não é. Em pleno fim de 2025, o governo tenta esfriar uma crise aberta com o Congresso como quem apaga fagulhas num barril de pólvora. A novela política em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou tom de novela de verão: têm cartas públicas, acusações de “interferência indevida”, recados atravessados e agora… pedidos de chá de camomila.
No centro do fogo cruzado está Davi Alcolumbre, ex-aliado confiável, hoje inflado de ressentimento com o Executivo. Ele acusou o Palácio de tentar transformar a vaga no STF em “moeda de barganha com cargos e emendas”. Não gostou nem um pouco da manobra — e reagiu duro, exigindo respeito institucional. O governo, acuado, agora manda a ministra de Relações Institucionais recompor o cordão diplomático e distribuir sorrisos no Congresso.
Mas o que é “estabilidade institucional” na boca deles soa mais como “pressa para garantir uma cadeira vitalícia”. Messias, nome do governo, depende dos 41 votos no Senado — e com Alcolumbre tronando trombetas de alerta, o placar corre risco. Há quem veja no recuo uma tentativa de dar mais tempo para acumular votos, suavizar críticas e — por que não? — prometer gratificações ocultas.
O plano de pacificação é clássico: reunião, diálogo, garantias veladas de que o Senado não será esquecido na divisão de poder — e, quem sabe, uma promessa de próxima comissão, cargo ou emenda para acalmar os ânimos. Mas todo mundo sabe: em Brasília, “bom diálogo” costuma vir com promessa de migalha.
Enquanto isso, nas ruas e entre setores que apoiaram o governo, cresce o ceticismo. A base política — já fatiada, cansada e desconfiada — observa com desdém: “Outro almoço, outra promessa, outro tapinha nas costas.” Muitos se perguntam se a “conciliação” serve ao país ou apenas ao calendário eleitoral de 2026, quando cada “favorzinho” pode virar voto.
Mais pesado: a crise escancara a fragilidade institucional de um governo que depende de cada presidente de Casa para aprovar medidas essenciais. Às vésperas do Orçamento, da votação de pautas sociais e do encerramento do ano legislativo, qualquer traição pode custar caro — não apenas em cargos, mas em políticas de impacto real.
Se Messias entrar, será vitória do Planalto. Mas será também uma derrota simbólica para o equilíbrio entre os Poderes. Será a comprovação de que, neste Brasil de 2025, a toga pode valer menos que um conchavo. E que “harmonia entre os poderes” muitas vezes acaba sendo sinônimo de “acordo subterrâneo entre caciques”.
No fim das contas, o governo tenta esfriar a crise. Mas a fumaça continua — e não demora para manchar o teto de vidro da República.


